
Se nos últimos dias se dava como certa a análise dos vetos a benefícios dos servidores da Câmara até o fim desta semana, agora essa possibilidade parece um pouco mais distante. O Legislativo tem prazo até o fim do mês para manter ou derrubar a decisão do prefeito Adiló Didomenico e a ordem na Mesa Diretora, que define a pauta das sessões, é esperar a poeira baixar.
O presidente Wagner Petrini (PSB), que tem a decisão final sobre os projetos que vão a plenário, diz que conversas a respeito do tema ainda estão em andamento e a intenção é colocar em votação quando a situação estiver mais apaziguada. Apesar disso, ainda tem quem aposte em uma eventual votação na quinta-feira (12).
Oficialmente ninguém confirma, mas há interpretações de que a coletiva da prefeitura nesta segunda-feira (9) contribuiu para a decisão. A declaração de Adiló de que teria que aumentar em 52,2% o IPTU 2027 para cobrir a despesa extra colocou os vereadores em uma posição delicada perante a população.
A base governista abordou o assunto na tradicional reunião das segundas com o objetivo de defender a manutenção do veto. O líder do governo, Calebe Garbin (PP), defendeu que haja uma conversa com a associação dos servidores da Câmara e com o Sindiserv para buscar um consenso sobre o vale-alimentação de todos os servidores municipais.
Alguns vereadores tentam encontrar espaço para emplacar uma proposta que não seja o reajuste de 100% já aprovado, mas também não o veto total à medida.
Ameaças
Publicamente, o tema apareceu apenas no final da sessão desta terça-feira (10) e foi puxado pelo vereador Cláudio Libardi (PCdoB), que deu o tom de como muitos vereadores receberam o recado da coletiva de segunda.
O vereador contestou a projeção de aumento de IPTU apresentada por Adiló argumentando que o valor anual de pagamento do Caso Magnabosco seria semelhante e nunca se cogitou aumento de imposto. Disse ainda que a cidade e a casa não são de "cabresto".
— Se o prefeito quer jogar o Legislativo todo contra a população, fique tranquilo que eu me encarregarei sozinho de jogá-lo contra o povo. O senhor, ontem, teve a mesma postura de um adolescente — declarou.
Lucas Caregnato (PT) aproveitou o embalo:
— O último vereador que se tornou prefeito e brigou com o poder Legislativo foi caçado.
Pra lá e pra cá
Nos bastidores da Câmara, nos últimos dias, circulou a informação de que o governo iniciou um processo de chamamento de servidores do Executivo cedidos ao Legislativo. Seria mais um desdobramento da turbulência envolvendo o reajuste ao auxílio alimentação.
Oficialmente, a direção da Casa diz não ter recebido nenhuma solicitação formal. A coluna apurou que um ensaio dessa movimentação chegou a ocorrer, mas não se consumou. Ao menos até agora.
Denúncia
Libardi também mencionou a denúncia do Ministério Público (MP) contra o vereador Hiago Morandi (PL) por uma suposta agressão a ele antes de ambos serem eleitos vereadores. A medida veio a público no dia em que Hiago denunciou um suposto desvio de brita da subprefeitura de Vila Cristina.
Libardi disse que a situação não tem relação com a atuação de ambos na Casa e que a divulgação ocorreu para abafar as denúncias. Sem revelar nomes, também disse saber quem espalhou a informação.





