Entre os itens anexados na denúncia do vereador Hiago Morandi (PL) de suposto desvio de brita da subprefeitura de Vila Cristina para o município de Vale Real, estão anexadas fotos e a transcrição de um áudio de uma conversa entre o então subprefeito, Carlos Ramon, e uma servidora pública.
No diálogo, dividido em dois trechos, a funcionária alerta o subprefeito sobre o recolhimento de brita por caminhões da prefeitura de Vale Real e do próprio prefeito, Marcelo Bettega. Já o subprefeito fala em intervenções no acesso à propriedade de um funcionário de Bettega.
O advogado de Carlos Ramon apresentou a defesa na Corregedoria-Geral do município nesta quarta-feira (4). Já o prefeito e Vale Real divulgou nota rebatendo a denúncia.
O texto afirma que o acordo, firmado para manutenção da Estrada da Forquetinha, via que liga e atende moradores dos dois municípios, é regular e atende a demandas agravadas pelas chuvas de 2023 e 2024.
A nota também criticou a postura de Hiago Morandi ao gravar o prefeito sem autorização durante uma visita não agendada ao gabinete. Diante da divulgação do vídeo e do conteúdo considerado difamatório, o Executivo anunciou que tomará medidas judiciais nas áreas cível e criminal. O município reafirma que não houve irregularidade e que seguirá atuando com transparência e responsabilidade.
Veja a transcrição da conversa:
Primeiro trecho
Servidora: Tá, mas isso aí ele tem que se acertar com quem contratou ele. Não tirar cascalho da prefeitura pra dar pra ele. Se o campo contratou ele, contrataram, que paguem.
Subprefeito: Fui eu que pedi pra ele.
Servidora: Não importa. Uma coisa não tem nada, não interessa se é pública, é pública com uma cedência. Alguém contratou o Marcelo para fazer aquilo ali, ele tem que cobrar de quem contratou ele. Não vir aqui na prefeitura e querer cascalho toda hora. Não foi uma vez que ele carregou aqui, não foram duas, não foram três. Eu já vi ele carregando aqui muitas vezes, os caminhões da prefeitura do Vale (Real), eu já vi ele carregando aquele Mercedes vermelho. Aquele Mercedes vermelho é caminhão dele, não é da prefeitura.
Subprefeito: Não, ele carregou um monte de vez, mas não foi cascalho, era a pedra de rio, nós puxamos um monte de pedra de rio.
Servidora: Não, é cascalho. O caminhão vermelho carregou cascalho.
Subprefeito: Ah, sim, fui eu que carreguei o cascalho aqui. E o cascalho, esse cascalho último, mas isso já fazia... foi muito tempo atrás. Esse que veio aqui, quando ele pediu, ele ligou pro Jairo, pedindo que se nós pudéssemos cascalhar.
Segundo trecho
Subprefeito: Não, mas se houve erro, tudo bem. Houve erro, mas...
Servidora: Não é erro, houve crime. Não é erro, é crime. É diferente. E erro é uma coisa, crime é outra. Diferente.
Subprefeito: Nesse aqui, ó, esse aqui nada a ver. Não tem nada a ver com material. É aqui, no lado dos três patetas ali, foi feito um acesso, que esse cascalho vai nesse acesso.
Servidora: Ah, sim, então o Marcelo Bettega veio aqui, carregou o cascalho aqui, mas como ele é bonzinho, né? Ele carregou o cascalho aqui, o Mercedes vermelho carregou o cascalho aqui, deixou num monte amontoado, pra quando for trabalhar na nossa estrada, esse caminhão vermelho lá, cascalhar...
Subprefeito: Foi a c* do cara que fez, foi o Gerson. É o empregado dele, que tá fazendo o acesso, ele comprou umas terras lá em cima do... Ele comprou um...
Servidora: O acesso onde?
Subprefeito: O acesso que tá indo, porque é onde ele tá construindo.
Servidora: No nosso lado (de Caxias)?
Subprefeito: Sim.
Servidora: Mas então, se quem fez a c* foram os funcionários do Marcelo, os funcionários do Marcelo tem que resolver com o cascalho deles, não com o nosso.
Subprefeito: Sim, mas na verdade, isso aqui é nosso.
Servidora: Não, se ele estragou, se foi uma empresa privada, foi lá e estragou o negócio, essa empresa privada tem que consertar isso aí, não é o município que tem que consertar.
Subprefeito: Não, é um acesso novo. Ele pediu pra nós abrir o acesso. Como nós estamos mal de máquinas, de escavadeira, o Marcelo cedeu pra ele, porque é funcionário dele, cedeu a máquina e cedeu o caminhão. Ele teve que mexer com terra.
Servidora: Ah, ele é funcionário do Marcelo, tá explicado, ele é funcionário do Marcelo, ai deu problema lá e esse cascalho vai lá para liberar esse acesso, pra abrir esse acesso do funcionário do Marcelo.



