Na véspera da data prevista para a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul analisar os vetos do prefeito Adiló Didomenico ao reajuste salarial e de benefícios aos servidores do Legislativo, o Executivo convocou uma coletiva para detalhar o impacto financeiro caso a medida se estenda por todo o funcionalismo. O recado foi de que seria necessário aumentar o IPTU em 52,2% para dar conta dos R$ 81 milhões de despesa extra que seria criada.
Mas, para além dos números, o principal recado da coletiva esteve nas entrelinhas e deixou clara a situação desconfortável do governo na Câmara com relação ao assunto. Ao esmiuçar as contas e enfatizar que esse poderá ser um custo pago por todos, o Executivo demonstra não ter a tranquilidade de que o veto será mantido nesta terça-feira (10).
Como apurou a coluna na última semana, há quem aposte em uma divisão do plenário com voto de minerva do presidente Wagner Petrini (PSB). A tendência, pelo que se fala nos bastidores, é que ele opte pela derrubada do veto, já que estaria incomodado com a medida.
O movimento político do Executivo em buscar apoio da população ao veto é ainda mais incisivo na medida em que apela ao IPTU para fazer o comparativo de impacto financeiro. Tivesse apontado, por exemplo, mais dificuldade para o pagamento do Caso Magnabosco, o recado já seria dado. No entanto, transferir um custo coletivo para um imposto individual pode gerar mais temor e reações na população.
Palavras
Na coletiva desta segunda-feira (9), Adiló classificou a decisão da Câmara como de "extrema irresponsabilidade". Ao mesmo tempo, estendeu a bandeira branca, afirmando não querer "criar constrangimento".
— Imagino que tenha sido um descuido, porque pensaram que seria um aumento de benefício apenas para funcionários do Legislativo — disse.
Causa e efeito
O movimento do Executivo é ousado e arriscado, uma vez que pode gerar contragolpe por parte do Legislativo, com a derrubada do veto. Os relatos são de que a coletiva causou ira em alguns gabinetes da Câmara. Pelo sim, pelo não, a pauta da sessão de terça-feira (10) saiu sem a análise dos vetos.
Independentemente de rancores, seria prudente levar o alerta a sério. Ainda que a Câmara argumente que tem como pagar os benefícios aos servidores, é mais que natural que os funcionários do Executivo busquem uma equiparação na próxima negociação salarial.
Outros vetos
O veto ao auxílio-alimentação dos servidores da Câmara não é o único que precisa ser analisado pelos vereadores. Desde o início do ano, Adiló impôs quatro vetos totais e um parcial a matérias aprovadas pelo Legislativo.
Além da medida sobre o auxílio-alimentação e o reajuste salarial dos servidores da Casa, há um veto parcial às emendas (modificações no texto) aprovadas na Lei Orçamentária Anual (LOA), votada em dezembro.
Os outros dois vetos são ao projeto de lei 302/2025, que determina a inclusão de veterinário na equipe multiprofissional de atenção primária à saúde e ao projeto de lei 219/2025, que é de autoria do Executivo e permite ao município transferir um terreno para a Codeca. O veto ocorreu após o governo reavaliar a decisão.
Constitucional
Apesar dos imbróglios, todos os vetos receberam parecer de constitucionalidade da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação (CCJL) da Câmara. É prerrogativa do chefe do Executivo vetar matérias aprovadas pelo Legislativo, mas o parecer também indica que a comissão aceitou os argumentos da prefeitura.






