
A coletiva do vereador Hiago Morandi (PL) que revelou um suposto desvio de brita da subprefeitura de Vila Cristina, em Caxias do Sul, ocorreu com a sessão desta quinta-feira (5) em andamento. Pouco depois, o assunto já havia chegado ao plenário e o presidente da Casa, Wagner Petrini (PSB), prometeu protocolar um pedido do que chamou de CPI do Cascalho.
A declaração ocorreu na mesma semana em que Petrini anunciou o desembarque da base do governo Adiló.
Petrini não prometeu aderir à oposição e disse que a proposta de CPI é um exemplo da neutralidade, embora seja um movimento alinhado com a oposição. Tanto que ganhou apoio imediato de vereadores contrários ao governo.
Após a sessão, enquanto grava um vídeo anunciando a CPI, Petrini era observado com surpresa pelas vereadoras Andressa Marques (PCdoB) e Sandra Bonetto (Novo). Andressa chegou a ironizar, em tom de brincadeira:
— Agora ele é o líder da oposição!
Petrini disse já ter nove assinaturas pela abertura da comissão, superando o mínimo necessário de oito.
Convênio existe
O secretário municipal de Obras, Lucas Suzin, disse que existe convênio em vigor entre Caxias e municípios vizinhos, incluindo Vale Real, para ajuda mútua em obras. Normalmente a parceria ocorre na recuperação de estradas que passam de um município a outro. Um se responsabiliza pelo patrolamento e outro pelo cascalhamento, por exemplo.
O secretário não informou se o convênio cobre as atividades denunciadas, porque a sindicância ainda não terminou. No entanto, a exoneração do subprefeito já seria um indício da constatação de supostas irregularidades.
Além disso, o apontamento da denúncia de que um caminhão particular do prefeito de Vale Real teria sido utilizado para levar brita à propriedade de um funcionário em hipótese alguma estaria previsto em convênio.
A sindicância, segundo Suzin, é para apurar o que a parceria permite.


