
— Vão dizer que precisa, mas não precisa.
A frase acima foi ouvida pela coluna em setembro, quando veio à tona a informação de que vereadores articulavam, nos bastidores, a criação de 23 cargos de chefe de gabinete, um para cada parlamentar. O entendimento é corroborado por mais de uma fonte ouvida pela coluna, inclusive entre os próprios vereadores.
Na época, o presidente da Casa, vereador Lucas Caregnato (PT), disse que a discussão existia há tempo, mas que havia outras prioridades. A marcação de uma sessão extraordinária envolta em sigilo para 5 de janeiro indica, no entanto, que o momento chegou.
Mais do que os novos cargos, deve ser analisada a recriação da verba de representação, no valor de R$ 5 mil. Nesse caso, há o argumento de deslocamentos a bairros e outras agendas precisam ser custeadas pelos parlamentares. Dessa forma, a verba seria utilizada para custear principalmente combustível.
A marcação da sessão para 5 de janeiro atende uma questão legal — e reforça o motivo do encontro: não é possível criar cargos no Legislativo no segundo semestre.
Contudo, também é conveniente, já que a estratégia de votar aumentos de custos no fim do ano está "manjada" pela população. Em 5 de janeiro, o eleitor nem terá se recuperado da "ressaca" do Réveillon e muitos estarão preocupados com o primeiro dia de trabalho após as férias. A política estará em recesso.
Comprovada a necessidade de criação dos cargos, não haveria problema algum discutir a questão ao longo do ano legislativo, sob os olhos do eleitor e com a transparência que ele espera de seus representantes.
Mais espaço
Está relacionado a isso, ainda que de forma indireta, a rusga ocorrida entre Executivo e Legislativo, também em setembro, por conta da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026. O texto previa um repasse à Câmara menor do que o solicitado.
O incômodo ocorreu porque, entre outros fatores, há planos de iniciar a construção de um anexo no prédio do Legislativo em 2026. Principalmente para acomodar os novos assessores.
Equipamentos
Alguns investimentos realizados pela Câmara ao longo do ano se justificam. Houve a troca de computadores antigos que dificultavam o andamento do trabalho, bem como a contratação de um novo sistema legislativo.
Este último tem custo de R$ 871 mil ao ano, mas resulta em um software moderno e já utilizado por outras casas. Também faz sentido que os vereadores tenham celulares funcionais.
Justamente por esses investimentos, é questionável a compra de TVs de 50 polegadas e laptops aos vereadores. Os novos celulares e os aparelhos existentes já dão conta da operação do novo sistema.


