
A entrega dos projetos para 13 obras de resiliência nas rodovias sob gestão da concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) começa a dar forma aos investimentos previstos em contrato. Desde a enchente de 2024, o cronograma da concessão ficou suspenso por quase um ano e meio, aguardando estudo sobre obras adicionais. O resultado é o atraso das primeiras duplicações, cujas entregas eram previstas para janeiro próximo.
Com a definição de que o reforço das encostas será custeado pelo Funrigs, fundo de reconstrução do Estado, as discussões agora se concentram nos prazos e na formalização das mudanças contratuais.
Conforme revelado pelo secretário da Reconstrução, Pedro Capeluppi, em entrevista à Gaúcha Serra, a CSG pediu adiamento de um ano e três meses para entregar a duplicação da RS-122, no contorno de Caxias, e da RS-453, entre Farroupilha e Garibaldi - as primeiras previstas.
Na documentação que embasa o licenciamento ambiental, as obras da RS-122 tem duração prevista de um ano e cinco meses e as da RS-453, de um ano e oito meses.
Ou seja, ainda que caiba uma reprogramação dos trabalhos, a entrega no prazo sugerido pela própria concessionária exigiria o início quase imediato das obras. Isso se o Estado não exigir prazo menor, possibilidade levantada pelo secretário. Não seria utopia, já que projetos e licenciamentos já foram adiantados nos últimos meses.
Privatização do Samae
Na entrevista, Capeluppi também garantiu que haverá autonomia dos municípios nas discussões a respeito da concessão de serviços de saneamento em cidades não atendidas pela Corsan, já privatizada. No fim de julho, o Estado contratou um estudo com duração de sete meses para identificar a viabilidade de repassar o serviço de água e esgoto desses locais para a iniciativa privada.
A medida gerou o temor de privatização ou concessão do Samae e o prefeito Adiló Didomenico foi categórico em dizer que "não há interesse em participar desse tipo de empreendimento ou decisão do Estado". Além de Caxias já estar muito próximo de atingir as metas do Marco do Saneamento, o Samae também viabiliza obras importantes no município pelo caixa saudável.
Considerando esse cenário, não surpreende o interesse do Estado em "abocanhar" a autarquia, inclusive porque estão no radar contratos regionais, em que cidades maiores contribuem para investimentos nas menores. A aguardar o que dirão os estudos.
Depende das consultas
O Estado deve abrir no fim do mês as consultas para o bloco 1 de concessões rodoviárias, que abrangem a Região Metropolitana de Porto Alegre, Litoral e Região das Hortênsias. Uma das rodovias contempladas é a RS-466, que dá acesso Parque do Caracol, em Canela, e será estendida para proporcionar o acesso da cidade ao aeroporto de Vila Oliva.
Questionado se a construção da estrada pode ser realizada pela futura concessionária, ainda que com recursos do Furigs, não confirmou, mas também não negou. Disse que vai depender do debate público e do impacto que teria na tarifa (mesmo que apenas para manutenção).
De qualquer forma, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) pretende contratar projetos e obra em 2026.




