
Em uma sessão com clima de nervosismo, vereadores de Caxias rejeitaram abertura de processo de cassação dos vereadores Hiago Morandi e Daiane Mello, ambos de PL. A análise do pedido ocorreu nesta terça-feira (23), um dia após os médicos Bruno Rossi Bertassi e Laura Bedin Rocetto, além da advogada Amanda Martins de Castro Bernardes protocolarem o documento na Casa.
A rejeição ao pedido de Daiane ocorreu por unanimidade, enquanto Hiago teve cinco votos favoráveis pela admissibilidade do processo. Foram eles: Marisol Santos (PSDB), Estela Balardin (PT), Rose Frigeri (PT), Claudio Libardi (PCdoB) e Andressa Marques (PCdoB).
O pedido ocorreu em função de um vídeo publicado por Hiago e Daiane nas redes sociais no dia 4 de setembro mostrando uma fiscalização dos vereadores na UPA Central na noite anterior. Nas imagens, os parlamentares verificam um alojamento de descanso dos médicos, onde os dois profissionais estavam com a porta fechada.
Os médicos acusaram os vereadores de abuso de autoridade, quebra de decoro e exercício ilegítimo do poder parlamentar, além de crimes contra a honra.
Os votos favoráveis ao processo contra Hiago ocorreram principalmente em função da presença de um assessor armado durante a verificação da UPA. Como não havia pessoas armadas na equipe de Daiane, o entendimento de todos foi pelo arquivamento.
No início da sessão, havia uma tendência de pedido de vista por conta da ausência, na peça, do número do título de eleitor dos autores. As informações, porém, foram encaminhadas na sequência e a apreciação foi mantida. Hiago e Daiane abriram mão de se manifestar no espaço de defesa.
Conselhos
Entre os colegas que se manifestaram, foi unânime o entendimento de que fiscalizações são necessárias e função essencial do papel de vereador, mas que é preciso ter moderação na forma de atuar.
Entre os recados, o de que, em última instância, ações da forma como realizada pelo vereadores, prejudicam o serviço público, em função de exonerações, e dificultam futuras fiscalizações. Entre os conselhos mais contundentes esteve o do vereador Sandro Fantinel.
— Muito cuidado com aqueles grupos, que parecem que são enormes, de internet, que muitas vezes incentivam e pressionam vocês cada vez mais a serem incisivos nas suas fiscalizações. Porque, se um dia o mundo cair na cabeça de vocês como caiu na minha, eles fogem — afirmou.
Embora não houvesse clima para a admissibilidade do processo, a maior parte das manifestações, ponderando a respeito do método utilizado, foi na direção de dar um voto de confiança. Um recado de que, talvez, não haja tanta benevolência no futuro.
Alívio
Após a rejeição dos pedidos, Hiago e Daiane se cumprimentaram e receberam abraços de colegas e apoiadores que estavam no plenário. À imprensa, Hiago disse que não escondeu a informação da presença do assessor armado na fiscalização pelo fato de existir porte de arma e o objeto não poder ser deixado no carro sob risco de ser extraviado, situação que poderia acarretar em crime militar.
Daiane disse que ficou aliviada com a rejeição e que seguirá fazendo fiscalizações em órgãos públicos.


