
O debate sobre o início da fiscalização eletrônica nas vias urbanas de Caxias extrapolou os radares e agora também envolve ações de comunicação. O motivo é um vídeo publicado pelo perfil "Caxias Mil Grau" em colaboração com a prefeitura de Caxias. Os vereadores Hiago Morandi (PL) e Daiane Mello (PL) anunciaram que vão protocolar um pedido de informações sobre os valores gastos pelo município com publicidade, especialmente em páginas de redes sociais.
O líder do governo, vereador Daniel Santos (Republicanos), disse que a contratação do vídeo ocorreu por sugestão dele próprio, dentro de iniciativas para melhorar a comunicação do município nas redes sociais. Ele afirma que o vídeo em questão é uma amostra grátis para a administração avaliar uma possível contratação de conteúdo para a página da prefeitura.
A página "Caxias Mil Grau" tem contrato de R$ 3 mil com o município, segundo Santos (a oposição diz que o valor é maior), e publicou um esclarecimento diante da enxurrada de críticas de pessoas contrárias aos radares. Grupo que domina as redes sociais, mas não é unanimidade no mundo real.
Aluguel
Outro questionamento de Hiago Morandi e Daiane Mello é com relação ao valor gasto pelo município com o sistema de fiscalização eletrônica e ao modelo de aluguel de equipamentos. O serviço integra o contrato de cercamento eletrônico que, entre radares, câmeras e central de monitoramento, teve valor inicial de R$ 16,6 milhões pelo período de quatro anos.
A parceria prevê o fornecimento de equipamentos em comodato, um modelo que tem se disseminado em diversas cidades que adotam o cercamento eletrônico. O poder público contrata o serviço e não precisa se preocupar com o manutenção ou modernização. No antigo sistema de monitoramento, que adquiria os equipamentos, era mais comum ter câmeras estragadas do que em funcionamento.
O aluguel do imóvel onde funciona o Centro Integrado de Operações (Ciop), na Rua Marechal Floriano, tem custo de quase R$ 3,3 milhões pelo período de 10 anos.
Olho no olho

Hiago já deixou claro que vai para o enfrentamento direto com governo em relação à fiscalização eletrônica. Nesta quinta-feira (31) o secretário adjunto de Trânsito, Alfonso Willembring, esteve na Câmara explicando os motivos da decisão de ativar o sistema. Ele apresentou dados como as 935 vidas perdidas no trânsito de Caxias de 2007 a 2025 e citou que radares móveis têm uma "tecnologia fantástica", mas não são mais utilizados em Caxias.
Durante as manifestações, que ocorreram com a sessão suspensa em função de restrições no regimento, Hiago disse que tempo de serviço não é garantia de conhecimento (Willembring atuou por 30 anos na Polícia Rodoviária Federal) e afirmou que o secretário tinha orgulho de operar o radar móvel no passado.
Willembring ironizou:
— O orgulho é que, apesar da minha pouca experiência, com a minha atuação algumas pessoas não morreram.





