Como não sujar as crônicas destas quintas, com todo o vírus e todo lodo pelos ares e lares do Brasil?
Penso nos pinheiros, sobre o refugiado negro na calçada ou alguma banalidade dos tijolos antigos da casa. Hoje mesmo eu estava a lembrar e a escrever sobre um velho guia da Chapada Diamantina, Luiz Krug, que conheci por acaso em uma caminhada – homem a quem se deve o batismo científico de um raro bagre albino e cego, espécie endêmica de um lago subterrâneo: Rhandiopsis Krugi.
Mas o que interessa esse minúsculo peixe e a história de sua descoberta para uma parte da população imersa na diarreia dos smartphones, uberizada, crente de um Jesus raso e básico, uma gente que passou a odiar a ciência e os livros e que entronou no poder o maior idiota da nossa história recente?
Não. A saga dos Krugi – o descobridor e o peixe – fica para a semana que vem ou para nunca mais, porque o dia 15 de março está logo aí. E o que tem o dia 15? Simplesmente é a data marcada para uma marcha popular contra o Congresso Nacional e o Supremo, convocada em sottovoce nas redes pelo próprio presidente, seus comparsas e rebentos. Só isso!
Daí até explicar o óbvio e a gravidade da intenção desse evento – a se concretizar ou não – para a plateia bolsonarista ainda convicta, mais cega que o pequeno bagre da Chapada, pode ser muito difícil ou mesmo impossível. O coquetel está armado: sociedade presa à poltrona, generais dúbios instalados nos palácios – até na “Casa Civil”, por ironia! – e um sujeito que atenta contra o próprio regime político que o sustentou mais de trinta anos e o elegeu presidente.
Não sofro do “poltronismo” que acometeu as pessoas em geral. Tenho a missão de sujar mais esta crônica do quintal do Brasil para dizer que tocamos no limite! – é preciso dar fim a este devaneio autoritário e arcaico que raptou o país, antes da próxima curva fechada da estrada. Razões para um impeachment ou camisa de força para esta triste figura da República já estão dadas, de encher as mãos e ainda faltar dedos para contar. A palhaçada do dia 15 é só mais uma. Até quando os donos do dinheiro, aqueles que tudo decidem, da Fiesp às CICs por aí, bancarão essa trupe insana e sua claque histérica?
Ontem, ao volante do carro, eu já embarrava este texto. Pelas estradas de SC – muito além de uma RS esburacada e caótica – eu via as placas reflexivas em sequência, anunciando à beira da pista o fim de uma grande reta: 6, 5, 4, 3, 2, 1. Para então mergulhar em uma curva perigosa, à direita.





