
A estranha mudança da Carreta da Tomografia, que deixou Caxias e se instalou em Farroupilha, segue rendendo diferentes explicações. Após a repercussão ruim do caso, o presidente da Festa da Uva, Milton Corlatti, procurou a coluna para dar a versão dele sobre os motivos que levaram à saída do equipamento, que deveria ficar em Caxias até o fim de setembro.
A Festa da Uva se colocou à disposição para receber o equipamento, quando notou-se que um aclive no terreno da CIC, onde originalmente estava prevista a instalação, não era adequado. Assim, quando os técnicos chegaram, foi explicado que inicialmente era possível o uso da energia normal, da rede. No entanto, foi alertado que dias depois a estrutura passaria a ser sustentada por geradores, pois haveria a realização de eventos e da Semana Farroupilha.
De acordo com Corlatti, as condições da Festa da Uva foram consideradas adequadas pelos técnicos e os atendimentos iniciaram normalmente. No entanto, o discurso mudou quando começaram a ser usados os geradores do parque:
– Veio um técnico do ministério e foi avisado a ele que, a partir do dia tal, o parque ia trabalhar com geradores, e ele disse que não tinha problema. Aí ligamos os geradores, e uma outra pessoa, que eu não sei quem é, falou que o equipamento não funcionava com gerador. Estranho, pois, inclusive, eles têm um gerador que está nas fotos. Aquele gerador é deles, não é nosso.
Ele defende que havia capacidade técnica suficiente para continuar fazendo os atendimentos no local, e refuta que a Festa da Uva não tenha estrutura e que tivesse pedido que os atendimentos fossem suspensos.
– Eu falo pelo parque, e digo que não houve falha da Festa da Uva ou da prefeitura, pois não temos falta de gerador. Temos dois geradores enormes, de 500 kVA, e que são nossos. Eles dão conta, e quando é preciso, a gente coloca outros mais – declara Corlatti.
Já o secretário da Saúde de Caxias, Rafael Bueno, segue alegando que a sobreposição de atividades no parque acabou sendo o problema:
– Foi ligado no gerador da Festa da Uva e deu instabilidade, pois não comporta a carga, e ia cair com os eventos que estão acontecendo. A gente teve que desligar e a Festa da Uva disse: vocês param e esperam a gente terminar o evento. A proposta que a gente ofereceu para o ministério foi, a partir do dia 20, quando termina a Semana Farroupilha, a gente voltar a utilizar. Só que daí eles não quiseram esperar.
Bueno ainda acrescenta que havia o temor de que a instabilidade de energia pudesse gerar danos no equipamento, como aconteceu em outras cidades. Por outro lado, ele se mostra chateado com a repercussão ruim do caso e reclama da falta de apoio dos outros municípios:
– Eu quero dizer uma coisa: eu não vou mais atrás de carreta, porque só está acontecendo isso porque eu fui atrás, para conseguir dois meses para a Serra. Caxias não tem fila de espera de tomografias, mas a região tem quase 2 mil pessoas e eu ia botar aqui em Caxias, para atender toda a região. Só que agora que se ciave (se dane, em vêneto). Os prefeitos que se virem e levem para Farroupilha.
O secretário diz que nem chegou a cogitar a possibilidade de consultar outros municípios sobre o aluguel de um gerador específico para manter a carreta em Caxias, pois há um histórico de falta de apoio:
– Podiam ter bancado, mas quando a gente chama para ajudar em consultas, em cirurgias e outras coisas, eles só trazem pacientes para cá. A gente faz o chamamento e eles nunca ajudam em nada. Eu não vou mais atrás. Os prefeitos que se quiserem que vão a Brasília, consigam as carretas e botem nos seus municípios – afirma Bueno.
Apesar da transferência, os atendimentos não devem deixar de ser feitos. Quando a Carreta da Tomografia entrar em funcionamento em Farroupilha, as consultas que estavam agendadas para Caxias serão remarcadas para o novo local.




