
Embora conhecida e debatida desde o começo do ano, a difícil situação financeira tem obrigado a prefeitura de Caxias a escolher prioridades e algumas decisões têm afetado o dia a dia. É o caso do pagamento de fornecedores, que já registra atrasos e deve crescer nos próximos meses.
A informação é confirmada pelo secretário interino de Gestão Estratégica e Finanças, Micael Meurer. Segundo ele, além dos 30 dias usuais de prazo para o pagamento dos fornecedores, em geral têm sido necessários mais 15 dias para a prefeitura quitar suas obrigações. Como a prioridade tem sido pagar a folha dos servidores em dia, ressalta que o caixa não tem suportado o pagamento em dia de todas as pendências.
— Hoje, manter o salário em dia vai envolver atraso de fornecedores. Quando o dinheiro é insuficiente, a gente escolhe o que pagar. A folha é tratada com prioridade, mas aí não estamos conseguindo pagar em dia os fornecedores. Hoje a gente trabalha com atraso de alguns fornecedores na casa de 15 dias, com perspectiva de atraso maior conforme o fim do ano se aproxima, já que o maior volume de recursos entrou no início do ano — informa Meurer.
Despesas pagas com recursos vinculados, como os da Educação, não têm sofrido com os atrasos. Por outro lado, as operações que dependem dos recursos livres são impactadas, e aí se incluem serviços e compra de materiais e insumos em diversas pastas, inclusive Obras e Saúde. Como a perspectiva é que essa situação se amplie, com atrasos de até 40 dias a partir de agosto, Meurer entende que é preciso deixar claras as dificuldades enfrentadas pelo município:
— Falar o que ocorre é um serviço para a sociedade, pois estamos montando um cronograma que prevê atrasos até dezembro. O fornecedor também tem que saber que isto está acontecendo. Ele não pode chegar na data e aí saber que não vai receber, pois seria falta de transparência nossa. É a realidade do município.
Com um déficit anual hoje estimado em cerca de R$ 235 milhões, segue a busca por alternativas. Segundo Meurer, continua sendo analisada a contratação de um empréstimo, e cortes seguem ocorrendo. Uma das ações foi reverter o fato de a prefeitura gastar, por mês, R$ 10 milhões a mais do que o arrecadado, o que poderia ampliar o déficit anual. Ainda assim, o surgimento de despesas inesperadas é um desafio.
— O contrato com o Mão Amiga está exigindo um aporte maior, por exemplo. O contrato ficou um pouco mais caro, e o município inicialmente ainda está comprando todos os insumos, que antes a empresa colocava. Então o município já investiu um valor que não estava na projeção do orçamento, e assim acontece com outras demandas — exemplifica o secretário.
Estudo preventivo analisa parcelamento da folha dos servidores
Embora tenha priorizado o pagamento dos servidores em dia, a prefeitura de Caxias tem se preparado para um cenário de agravamento da situação financeira. Por isso, de forma preventiva, por meio do ofício de número 71/2026, de 17 de junho passado, a Secretaria de Gestão Estratégica e Finanças solicitou à Secretaria de Administração, Tecnologia e Inovação (Smati) um estudo de viabilidade referente ao parcelamento dos salários dos servidores municipais.
O documento alerta que o estudo é necessário devido ao cenário financeiro, e que vem como uma das tentativas de assegurar o equilíbrio das contas do município. Assim, é solicitado que sejam verificadas a viabilidade jurídica e a compatibilidade da medida com a legislação vigente, além de avaliar os impactos nos sistemas e rotinas administrativas e os procedimentos necessários para a eventual implementação.
O ofício traz também uma proposta da Secretaria de Gestão de como poderia ser feito esse parcelamento. Segundo a sugestão, o pagamento dos servidores começaria somente no quinto dia útil do mês seguinte, e seria feito de forma escalonada, em três etapas que seguiriam o seguinte critério:
Etapa 1: No quinto dia útil será feito o pagamento integral dos vencimentos aos servidores com remuneração de até R$ 8 mil, e pagamento de uma parcela neste mesmo valor para quem tem um salário maior;
Etapa 2: No décimo dia útil será feito o pagamento do saldo remanescente dos servidores que ganham mais de R$ 8 mil, indo até o limite de R$ 16 mil;
Etapa 3: Até o último dia útil do mês deve ser feito o pagamento do saldo faltante para os servidores com remuneração superior a R$ 16 mil.
O secretário reitera que o estudo tem caráter preventivo, sem data exata para aplicação, e ainda não foi respondido pela Secretaria de Administração. No entanto, ele alerta que é importante ter instrumentos de gestão claros em caso de necessidade.
— O município termina o dia sem dinheiro na conta. A folha tem sido tratada com prioridade, mas a gente precisa avaliar um cenário onde eventualmente a gente não tenha todo o valor para fazer a quitação. Então, é uma medida preventiva, já que todos os meses a gente tem trabalhado para manter a folha em dia, mas não tem sido fácil. Por isso estamos criando estimativas e parâmetros para, se tivermos que adotar algum parcelamento, sabermos o que temos que ter disponível — aponta Meurer.


