
Começa nesta quinta-feira (16) o recesso de inverno da Câmara de Vereadores de Caxias. Não era segredo que isso ocorreria, já que foi noticiado quando da aprovação, há poucas semanas. No entanto, agora que está chegando a hora de acontecer, as pessoas estão se dando conta de que, de forma razoavelmente discreta, dentro da reforma do Regimento Interno do Legislativo, os parlamentares da cidade se autoconcederam um benefício. Mais um.
E essa novidade, que não é incomum em outros parlamentos, torna mais impressionante pela sequência de benesses que os vereadores de Caxias passaram a ter nesses últimos anos. O recesso (nome técnico para férias não oficiais) entre 16 e 31 de julho vem se somar ao 13º para vereadores, dois novos assessores, verba de gabinete, celular gratuito, reforma de gabinetes, aluguel de carros e aumento de 416% no uso de diárias de viagem desde 2024. Tudo isso foi aprovado em menos de três anos, de dezembro de 2023 para cá.
Sempre ressalto que estou entre os que defendem a democracia e o papel fundamental dos parlamentos. Ainda assim (ou talvez justamente por isso), é impossível não sentir um mal-estar ao notar o quanto a Câmara está desligada da realidade geral da população e do próprio município, que passa por dificuldades financeiras. Boa condição de trabalho é saudável e desejável, mas crescimento desenfreado de mordomias é outra coisa, e é justamente isso que está ocorrendo.
E tudo fica mais triste ao ver isso em um parlamento que foi exemplo no passado, ao marcar posição como um dos primeiros a acabar com práticas como o emprego de parentes e as sessões extraordinárias remuneradas. Ao jogar essa história no lixo, os vereadores das últimas legislaturas estão passando uma mensagem muito ruim para a sociedade, e que só aumenta o descrédito dos políticos.
Como já escrevi em outro momento, isso não é um acaso. Mais do que nunca, parece que há um projeto deliberado de aumentar a fatia do orçamento gasta pelo parlamento. Por outros meios, é a aplicação do que aconteceu em Brasília nos últimos anos, onde as famigeradas emendas parlamentares já ocupam 27% das despesas não discricionárias (não obrigatórias) da União.
Aliás, é bom lembrar que, na última legislatura, já teve projeto que propunha a criação de emendas impositivas à lei orçamentária de cada ano, e que era assinada por 16 vereadores caxienses. Na época a ideia não seguiu adiante, mas no ritmo que as coisas vão, quem sabe não será a próxima novidade...

