
A ocorrência de eventos de corrida e atividade física sem as devidas autorizações estão na mira da Secretaria de Urbanismo (SMU) de Caxias do Sul. Nas últimas semanas, o órgão recebeu reclamações da população e informações da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel), que identificou a realização das atividades sem autorização e à margem da lei, resultando em perturbação e transtornos.
Popularmente denominados “aulões”, esses eventos ocorrem principalmente no fim de semana e, em geral, são promovidos por empresas. Um ponto de encontro é marcado, muitas vezes com atividades comerciais no local, e começa uma aglomeração de pessoas. Na sequência é feita uma corrida por ruas da cidade, sem as devidas autorizações e comunicação à Secretaria de Trânsito, que assim não prepara estrutura para organizar o tráfego.
O superintendente de Fiscalização da SMU, Rodrigo Lazarotto, acredita que a execução de eventos sem a devida autorização não é um acaso e, sim, uma ação deliberada, de drible à lei. Como a Smel, que tem a responsabilidade por gerir os eventos esportivos, não tem capacidade de fiscalização, o caso acabou sendo passado para o Urbanismo, que começou a monitorar estas atividades.
— A gente percebeu que isso está sendo feito de propósito, categorizando como um treino para não ter controle. E também porque, ao seguir os critérios, vai gerar custo. Geralmente se encontram no local comercial que está organizando e vai ter um ganho, porque vai vender o produto dele. Só que, como eles têm ganho em marketing, acho injusto com quem organiza da forma correta. Tem uma legislação para isso — defende o superintendente.
Além da falta de controle sobre a perturbação ao sossego e o transtorno no trânsito, Lazarotto alerta para os riscos à saúde e à segurança que esse tipo de ação pode trazer aos próprios participantes:
– Não se responsabilizam por ter uma ambulância e não informam o impacto no trânsito, e aí a gente não tem como cobrar. Assim, temos pessoas correndo desordenadas por uma rua sem bloqueio, o que é muito perigoso. A Smel já identificou treinões com mais de 300 pessoas, sendo que o mínimo exigido para ter ambulância é 200.
Lazarotto informa que a SMU está atenta à divulgação dessas atividades irregulares, e a ideia é que a fiscalização atue a partir de agora. No entanto, ele convida os organizadores para buscarem a regularização, pois a prefeitura é bastante receptiva a eventos. Prova disso é que, no ano passado, a pasta apoiou a realização de 42 atividades como corridas e maratonas.



