
A iminência da ampliação da interdição já existente sobre as operações do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani forçou uma reação da prefeitura de Caxias nesta semana. Atualmente, o espaço já opera com restrições impostas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que limitou em 42 o total de pousos e decolagens semanais autorizados no aeródromo caxiense.
No início desta semana, informações vindas de Brasília deram conta que a Anac estava em vias de aplicar uma nova sanção. O motivo seria a falta de ações da prefeitura, que administra o terminal, no setor de segurança. Entra as questões cobradas estão a recuperação de muros e melhorias no acesso na área de hangares onde, em julho de 2024, aconteceu um assalto a um avião que transportava valores.
Sem a resolução destes problemas, a Anac cogitava determinar que os aeroportos de destino fizessem nova inspeção das bagagens dos passageiros de voos com origem no terminal caxiense. Isso atrapalharia a execução de voos de conexão e poderia inviabilizar a operação, pois a tendência seria as companhias aéreas suspenderem os voos em Caxias, em virtude do transtorno e constrangimento dos usuários.
Para contornar a situação, o prefeito Adiló Didomenico, o vice-prefeito Edson Néspolo e o secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade, Elói Frizzo, encabeçaram uma reação. Com o apoio da Secretaria de Obras, ações de correção emergencial começaram a ser feitas. Uma delas é o reparo dos danos no muro que cerca a cabeceira sul. A implantação de uma pista interna para circulação de automóveis de segurança, margeando o muro, também foi iniciada, e veículos da SMTTM foram deslocados para lá, a fim de cumprirem a função de ronda.
Além disso, Frizzo informa que estão sendo agilizados os processos para implantação de novas câmeras de monitoramento e de melhoria do acesso ao Portão 2. Neste ponto vai ser feito um cercamento de aproximadamente 700 metros, que isolará os visitantes dos hangares da área que dá acesso à pista. Elói Frizzo revela que a Anac não chegou a dar um prazo para a resolução dos problemas, e tem havido uma constante troca de informações com o órgão federal.
— O prazo é a reunião seguinte. Nesta sexta-feira (7) já vamos apresentar o relatório preliminar, e na quarta-feira vamos nos reunir com a Anac de novo, já informando sobre o que eles solicitaram. Estamos em operação de guerra, sempre dependendo da reunião seguinte, para que eles constatem que as coisas estão acontecendo — destaca o secretário.
Outra providência tomada foi a recontratação da Orion, empresa de consultoria aeronáutica que já auxiliou na gestão do aeroporto em outras duas ocasiões. Néspolo admite que houve falhas do município, mas ressalta que algumas coisas foram adiadas pelo fato de que Caxias negociava com a Infraero o repasse da administração do espaço. Como isso não está mais sendo cogitado, ele aposta em uma rápida resolução dos problemas, sem prejuízos para a operação do terminal.
— Do que eu vi das reuniões dos últimos dias, acho que vamos dar conta e não ter problemas maiores. Vão continuar os voos normais e daqui a um tempo, fazendo o dever de casa, poderemos até poder ampliar. Creio que não vamos ter restrições, e acho que nem notificados nós vamos ser. A consultoria veio ajudar e nós estamos deixando claro que nós vamos continuar administrando o aeroporto — aponta o vice-prefeito.
Além das melhorias exigidas pela Anac, a prefeitura tenta destravar a ampliação do terminal de passageiros, que teve uma verba de R$ 7 milhões repassada pelo Estado. A intenção é fazer a licitação nos próximos meses.
O projeto prevê a implantação de uma estrutura modular, que vai se estender para uma área à frente do atual terminal, ocupando parte do estacionamento das aeronaves. A ampliação deve ser de quase mil metros quadrados, e também haverá nova esteira para bagagens e renovação dos equipamentos de raios X e detecção de metais.
Atualmente, o Hugo Cantergiani recebe três voos diários das companhias Azul, Gol e Latam, que ligam Caxias a São Paulo. Em 2025, cerca de 344 mil passageiros passaram pelo local. O recorde de utilização ocorreu em 2024, quando o movimento foi de 450 mil pessoas.




