
As duas candidaturas que disputam a reitoria da UCS para o período 2026-2030 passarão por uma etapa decisiva nesta quinta-feira (12). As chapas lideradas por Asdrubal Falavigna e Cleide Calgaro vão passar por uma sabatina a ser realizada pelos sete conselheiros da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs). O encontro começa às 16h, e os dois postulantes serão ouvidos separadamente, sem debate entre eles.
No dia 20 de fevereiro os conselheiros vão se reunir para escolher, por maioria simples, o novo reitor, e as entrevistas desta quinta são vistas como decisivas para a consolidação dos votos. O processo será por votação secreta, e participarão os representantes das entidades que tem assento no Conselho Diretor: prefeitura de Caxias, Mitra Diocesana, Associação Virvi Ramos, governo do Estado, UCS e CIC Caxias, sendo que essa última entidade é a única com dois representantes. A UCS, assim como Hospital Geral, Cetec e UCS FM estão vinculados à Fucs, que atua como mantenedora dessas unidades.
As candidaturas foram definidas ainda em dezembro e colocam frente a frente dois professores experientes, mas com trajetórias diferentes dentro da instituição. Asdrubal Falavigna, atual vice-reitor, representa a situação. Médico neurologista e doutor em Neurociências, ele entrou na UCS em 1997, como professor na Medicina. Desde então trabalha na docência e também ocupou cargos de gestão.
Já a candidata de oposição, Cleide Calgaro, está na UCS há 22 anos. Ela começou como funcionária em 2003 e desde 2007 atua como professora, tendo feito carreira como docente na graduação, mestrado e doutorado de Direito, mas sem ter ocupado cargos de gestão na universidade.
Apesar do período de férias, os candidatos acreditam que foi feita uma boa campanha junto à comunidade universitária e ambos chegam confiantes para o contato com o Conselho Diretor. Cleide revela que fez uma grande quantidade de contatos e, mesmo que não tenha conseguido falar com todos os conselheiros, entende que a mensagem de renovação trazida pela sua chapa foi amplamente difundida.
– A gente tentou conversar com todos os sete conselheiros. Alguns a gente não conseguiu, porque eles estavam em férias, mas entregamos o nosso plano para aqueles que a gente não conseguiu conversar. Estamos muito seguros do nosso plano e vamos tentar colocar ao conselho o que entendemos que seria bom para a universidade e estamos tranquilos, porque já fizemos uma campanha mostrando que a gente quer – afirma Cleide.
Asdrubal Falavigna também está otimista com os contatos feitos durante a campanha. Ele revela que, mesmo com as férias, o período foi de intensa atividade, com muita conversa com professores e empresários, além de forte apoio da comunidade acadêmica. Isso resulta em segurança para a sabatina, que no entender dele tem um caráter de teste às habilidades de comando dos candidatos.
– A sabatina avalia a parte de liderança, visão, experiência em gestão e a maturidade institucional do candidato. Eles examinam a visão estratégica da gestão para os próximos anos, considerando as dificuldades de manter um equilíbrio entre tradição, inovação e sustentabilidade. Então, é uma avaliação de experiência e visão, sobre o que os candidatos pretendem para os próximos quatro anos, para onde está indo o mundo das universidades e como chegar lá antes dos concorrentes – aponta Falavigna.
Candidatos reafirmam compromisso com a autonomia universitária
Um dos temas que tem pautado a campanha para a reitoria é a autonomia da universidade perante a Fucs. Antes mesmo da confirmação das chapas, entidades como a Associação dos Docentes da Universidade de Caxias do Sul (Aducs) e a Associação dos Funcionários da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Affucs), e mais recentemente o Diretório Central dos Estudantes (DCE), publicaram notas sobre o tema. As manifestações cogitavam tentativas de influência no processo de eleição, em ações que poderiam significar perda da autonomia da UCS perante o Conselho Diretor, e cobravam que os candidatos se posicionassem sobre isso.
Para o atual vice-reitor e candidato da situação, a autonomia universitária é um fator inegociável, até por estar previsto em lei. Além disso, Asdrubal Falavigna ressalta que esse princípio, no entanto, vai além da questão legal, pois é um princípio básico do funcionamento e capacidade de articulação da instituição.
– Ela melhora nossa missão, que é a formação integral, de não só entregar conhecimento, e sim formar a uma pessoa melhor, cidadã do mundo, e uma autonomia universitária responsável é sinônimo de confiança pública e reputação. Nós temos que preservar as ações de crescimento pessoal e regional da nossa região, e não se pode simplesmente olhar uma planilha de valores. A sustentabilidade é importante, mas é um meio de produzir conhecimento, pesquisa e formação de pessoas – declara Falavigna.
A candidata de oposição também se posiciona favoravelmente ao conceito de autonomia universitária. Ela ressalta que, até por representar um sentimento de insatisfação existente entre professores e funcionários da instituição, não pode abrir mão de um instrumento fundamental para o crescimento da UCS.
– Essa autonomia deve ser mantida sempre, porque é o que move uma instituição. É o que faz ela ser comunitária e democrática, e então essa autonomia tem que ser respeitada não só pela fundação, mas por todos. A gente sabe que, na questão econômica, a universidade e as outras mantidas estão vinculadas à Fucs, mas isso não faz com que seja perdida a autonomia de nenhuma delas – reforça Cleide.


