
Duas candidaturas se apresentaram para suceder Gelson Rech na reitoria da UCS, e o momento é de apresentação de propostas para a comunidade acadêmica e, principalmente, para os conselheiros da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs). A atenção especial a esses últimos se deve ao fato de que eles compõem o colégio eleitoral que vai eleger o futuro gestor da maior instituição de ensino superior da Serra para o período 2026-2030.
Uma das chapas é comandada pelo atual vice-reitor, Asdrubal Falavigna, e tem como candidata a vice Terciane Luchese. Já a outra candidatura é encabeçada pela professora Cleide Calgaro, com Carlos Lunelli na vaga de vice-reitor. A votação vai ocorrer em 20 de fevereiro, e os sete membros do Conselho Diretor da Fucs vão escolher, por maioria simples e em votação secreta, uma das candidaturas.
A Fucs é a entidade mantenedora à qual estão ligadas a UCS, o Hospital Geral, o Cetec e a UCS FM. O Conselho Diretor é formado por representantes da prefeitura de Caxias, Mitra Diocesana, Associação Virvi Ramos, governo do Estado, UCS e CIC Caxias, sendo que essa última entidade é a única com dois representantes, completando o colégio eleitoral de sete pessoas que escolherá o futuro comandante da reitoria, que será empossado em 3 de maio.
As articulações em torno das candidaturas têm sido intensas nos bastidores, e começaram antes mesmo da confirmação dos nomes. Ainda em dezembro, a Associação dos Docentes da Universidade de Caxias do Sul (Aducs) e a Associação dos Funcionários da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Affucs) publicaram uma nota que chamou a atenção. No documento, as entidades manifestaram repúdio ao que classificaram como “articulações que visam propor uma chapa para a reitoria, representando interesses externos à academia e desconsiderando as genuínas iniciativas da comunidade universitária". Não se especificou, porém, para qual candidatura elas se referiam.
Entre os candidatos, apesar do período de férias na UCS, há intensa campanha de divulgação entre conselheiros e comunidade acadêmica. Em público, a parte mais visível é a presença de material em redes sociais, e há preparação para um momento decisivo que ocorrerá em 12 de fevereiro. Nesse dia os postulantes vão passar por uma entrevista com o Conselho Diretor, onde serão sabatinados a respeito dos planos para a gestão.
Abaixo você conhece um pouco mais sobre cada candidato e propostas para o comando da UCS:
Asdrubal Falavigna

Médico neurologista e doutor em Neurociências, Asdrubal Falavigna, 60 anos de idade, entrou na UCS em 1997, como professor na Medicina. Desde então trabalha na docência e, por 21 anos, também tem ocupado cargos de gestão, passando por todos os níveis administrativos e chegando à função de vice-reitor, que ocupa desde 2022.
Essa experiência de gestão, inclusive, é um dos fatores ressaltados por Asdrubal. Ele revela que, embora a ideia da candidatura tenha surgido de forma mais clara somente nos últimos meses, o trabalho acumulado em diversas funções se constituiu em uma preparação importante para o cargo, pois também gera legitimidade dentro da instituição.
— O reitor tem que ter noção de gestão de todos os níveis administrativos, e eu agradeço por poder colocar minha experiência e meu talento para ajudar. Sinto-me absolutamente tranquilo e confiante, pois conheço bastante a universidade, além de ter confiança e legitimidade pela academia. Uma liderança genuína e uma gestão bem-sucedida somente acontecem quando tiver o respeito ao reitor pela academia e o reconhecimento externo da sociedade — afirma.
A experiência recente como vice-reitor também é considerada fundamental, pois serviu para se aprofundar na gestão e entender muito mais a importância de uma instituição comunitária sem fins lucrativos. Nesse contexto, Asdrubal vê como positivo o envolvimento de entidades como a Aducs e a Affucs no debate sobre a reitoria, pois ampliam o viés democrático e social do processo:
— Nós estamos falando de um patrimônio da comunidade. Então, eu acho que esse tipo de diálogo é importante, e vejo que deve ser ouvida a Aducs e todas as pessoas que se colocam, até para haver um diálogo construtivo. Eu não vejo nada de destrutivo, e a gente tem que ver o que pode tirar de lições.
Quanto aos planos, o candidato acredita na necessidade de aprofundar as ações da atual gestão. Com mudanças tecnológicas e culturais que no entender dele têm afastado os jovens da graduação em âmbito mundial, defende que a instituição se torne mais atraente, e acredita que isso tem sido feito. Uma das comprovações seria o fato de o índice de rematrícula da UCS estar em 90%, mostrando boa aceitação dos alunos.
Asdrubal defende que há outros espaços de crescimento, especialmente na pós-graduação, e que a UCS tem trabalhado para ocupar este mercado. Essas ações e uma boa relação com a Fucs, que ele descreve como natural, funcional e orgânica, têm se refletido nas finanças, tanto que o orçamento 2026 da UCS prevê um resultado positivo de R$ 15 milhões. Ainda assim, o candidato defende que a modernização de processos e o uso intensivo da tecnologia usados na atual gestão continuem, a fim de otimizar horas de professores e uso de prédios.
— Na quinta e sexta-feira, quando temos menor número de alunos, a gente já tem alguns prédios onde são intensivamente colocadas as disciplinas, para outros estarem fechados. Aí nestes nós não temos funcionário, luz, segurança e tudo mais, e já vamos fazendo economia — exemplifica.
Cleide Calgaro

Graduada inicialmente em Direito e pós-doutora em Filosofia e Direito, a candidata Cleide Calgaro, 49 anos de idade, está na UCS há 22. Começou como funcionária em 2003, e desde 2007 atua como professora, tendo feito carreira como docente na graduação, mestrado e doutorado de Direito.
Apesar da trajetória na universidade, alguns viram a candidatura dela com surpresa, pois Cleide nunca ocupou cargos de gestão na UCS. Segundo a professora, o movimento nasceu da união de pessoas que desejam mudanças na instituição e acreditam que é estranho, dentro de um processo democrático, não haver ao menos duas propostas. Por isso, descarta qualquer possibilidade de estar vinculada a interesses externos e nega que os alertas da Aducs e Affucs se refiram à chapa dela. Ela também não considera que o fato de não ter sido gestora seja um impeditivo para ocupar o cargo de reitora.
— Não é um problema. Uma porque eu tenho Administração de Empresas, formada pela própria UCS, e outra porque um bom administrador não trabalha sozinho, e sim com uma equipe. Então, se tem uma boa equipe, você faz uma boa gestão. E eu me dediquei bastante à docência, o que dá experiência, pois uma sala de aula acaba sendo bastante complexa de se administrar — ressalta Cleide.
O plano de gestão da chapa de Cleide Calgaro se apoia em ações divididas em cinco grandes grupos: valorização das pessoas; ensino, pesquisa e extensão; internacionalização e inovação; sustentabilidade e gestão institucional; e integração com a comunidade. A partir desses eixos, ela entende que é possível a UCS fazer as mudanças necessárias para enfrentar o atual mercado do ensino superior, que muda muito rapidamente:
— A gente observa as instituições do Estado, e todas passaram por um realinhamento. A UCS precisa passar por isso. Hoje a gente tem 14 mil alunos na graduação, 3 mil na pós-graduação e 3 mil na EAD, e a gente tem muitos prédios que poderiam ser reutilizados, porque mudou a estrutura e a sociedade. Tem que haver uma reestruturação interna para trazer economia, utilizando prédios ociosos e fazendo centros de pesquisa e parcerias com outras instituições. Essa reforma é necessária para a própria sustentabilidade financeira.
Outra ação defendida pela candidata é a criação de um portal de transparência, ação que seria necessária para que professores, funcionários e estudantes saibam onde está sendo investido o dinheiro da instituição. Ainda sobre gestão e orçamento, ela defende um trabalho integrado à Fucs, a fim de usar com racionalidade o dinheiro da instituição. Isso, no entanto, não interferiria na autonomia da UCS perante a mantenedora.
— A gestão acadêmica tem que ser autônoma, mas também acaba tendo que ser alinhada à Fundação no que se refere ao uso racional dos recursos. Por exemplo, se for criar um curso, eu tenho que ver se esse curso se sustenta sozinho, ou se ele vai dar prejuízo. Tem que alinhar esse uso de recursos, porque senão acaba trazendo um déficit depois – argumenta Cleide.



