
Lançado no último mês de julho como uma das grandes apostas da prefeitura de Caxias do Sul para agilizar o atendimento, o serviço de telessaúde tem apresentado problemas, e hoje está longe de completar a ambiciosa meta de fazer 30 mil consultas em um ano. A avaliação negativa é explicitada pelo próprio secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, que não esconde a frustração:
– Era para ser a menina dos olhos do governo Adiló, mas esta empresa contratada só criou problemas.
A principal queixa de Bueno e de servidores é de que o sistema de informática utilizado pela empresa contratada, a NXT Telessaúde Ltda, não é adequado ao atendimento, com dificuldade em liberar prontuários e outros documentos. Essa situação exige um envolvimento constante de funcionários em torno das consultas realizadas, além de tirar a privacidade do contato entre o paciente e o médico.
Em virtude desses problemas, a esperada ampliação do sistema, que começaria com a clínica geral e depois incluiria outras especialidades, não ocorreu. Neste momento, as três cabines localizadas no Centro de Especialidades em Saúde (CES) prestam apenas atendimento de psicoterapia. Já o equipamento que fazia consultas de clínica geral na UBS Esplanada encerrou as atividades nesta quinta-feira (30), e será transportado para o CES, onde também fará atendimentos na área de psicologia, que são os únicos que podem ser executados sem interferência externa.
Com este quadro, Bueno revela que já foram feitas cobranças à prestadora do serviço, que segundo o secretário prometeu apresentar até 15 de novembro uma melhoria no software de operação. Mesmo assim, ele revela que a prefeitura avalia não renovar o contrato que vai até fevereiro, e novas alternativas já estão sendo procuradas no mercado.
– É um instrumento importante, mas queremos ele com mais qualidade. Do jeito que está, só deu problema e não deslanchou as filas. O que era para dar fluxo às filas continua a mesma coisa, gerando uma exaustão nas nossas equipes, especialmente na UBS Esplanada – desabafa Bueno.
A diretora de Desenvolvimento e Integração Assistencial da SMS, Marília Piazza, afirma que a pasta continua confiando na telessaúde como um instrumento viável para melhorar o atendimento. Mesmo com as dificuldades apresentadas, ela ressalta que o serviço tem sido importante para diminuir a fila no atendimento da psicoterapia, e revela que a meta é resolver os problemas apresentados até agora, pois o retorno dos pacientes, apesar de tudo, tem sido positivo.
– A dificuldade é de sistema, e não de atendimento, muito pelo contrário. Os pacientes ficam satisfeitos com o atendimento, e o que nós temos são dificuldades relacionadas a receituário, que são específicas de tecnologia. A empresa foi chamada e está nos apresentando uma proposta, para que seja feito um ajuste – ressalta Marília.
O sistema de telessaúde de Caxias do Sul entrou em funcionamento em 8 de julho, e a meta era, no prazo de um ano, disponibilizar 30 mil consultas online ao ano. Além da clínica geral, estavam previstos atendimentos em cardiologia, reumatologia, endocrinologia, gastroenterologia, neurologia, reumatologia, psicoterapia e psiquiatria.


