
Mesmo com quase R$ 400 milhões garantidos para recuperação da estrutura atual, a Rota do Sol segue no radar de entidades empresariais da Serra. O objetivo é pensar a rodovia para o futuro, especialmente para o aumento de demanda que novos empreendimentos como o Porto Meridional e o Aeroporto de Vila Oliva devem trazer.
Em entrevista à Gaúcha Serra, ao ser questionado sobre o andamento de estudos para a rodovia, o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, afirmou que o governador Eduardo Leite já autorizou a busca de alternativas para a estrada. Ele revelou que dialoga sobre o tema com entidades da Serra e disse que o objetivo continua sendo ter um plano definido até o fim do ano que vem, quando se encerra a atual gestão do governo estadual.
Um dos principais canais de discussão sobre o futuro da Rota do Sol é mantido com a CIC Caxias. Ainda no ano passado, a entidade havia se colocado à disposição para fazer, junto com outras entidades, um estudo que apontasse alternativas para a rodovia. De acordo com o presidente Celestino Loro, a partir das recentes sinalizações positivas do Estado, o plano foi retomado, assim como as discussões sobre o assunto.
Conforme o empresário, a ideia é fazer um amplo estudo, com custo estimado em R$ 5 milhões, e doá-lo ao Estado, que a partir de então terá subsídios concretos para definir o que fará com a Rota do Sol. O trabalho deve apontar, por exemplo, se é viável uma concessão e que papel isso poderia ter ampliação da capacidade da estrada, inclusive com uma duplicação. Para Loro, é preciso ter essas informações com base técnica, além de compreender que o perfil de uso da rodovia se modificou com o tempo.
– A Rota do Sol, lá nos anos 1980, ela tinha uma caracterização. Hoje ela tem outra utilização, e é uma artéria de cargas. E isso vai se ampliar absurdamente com o porto e o aeroporto, e também porque a BR-101 ficou muito melhor para ir ao centro do país do que a 116, então as cargas seguem esse eixo. Não é mais uma rodovia de passeio, é uma rodovia de transporte de cargas, e temos que estar atentos a isso – analisa o presidente da CIC.
Neste momento, segundo Loro, estão sendo feitas tratativas para definir aspectos legais de como o Estado poderia receber e fazer uso deste estudo. Se essa questão for resolvida nas próximas semanas, ele projeta a possibilidade de os trabalhos começarem ainda em 2025, para que o documento final esteja pronto no início de 2027, quando a recuperação da atual estrutura da Rota do Sol deve ser entregue. Assim, com a via em boas condições, haveria condições de projetar sem sobressaltos a manutenção e futuras ampliações.
MobiCaxias cobra definição do Estado já nos próximos meses
Outra entidade envolvida na busca por soluções para a Rota do Sol é o Grupo Mobilização por Caxias (MobiCaxias). Ainda em 07 de janeiro deste ano, em uma reunião com Capeluppi, foi feita a cobrança da elaboração de um estudo para concessão da rodovia, e esta demanda foi reforçada durante o Fórum de Competitividade realizado na CIC no fim do mês passado.
De acordo com o presidente da entidade, Rodrigo Postiglione, o secretário reiterou a intenção de finalizar um projeto até o fim do governo Leite, em dezembro de 2026. No entanto, o tom adotado por Capeluppi durante a entrevista à Rádio Gaúcha deixou uma dúvida entre os membros do MobiCaxias.
– Na entrevista, ele não deu ênfase. A gente sabe que é uma pauta do governo, mas a gente precisa, como sociedade civil organizada, da efetivação do discurso. Isso é um estudo avançado, para o futuro, não é para agora, e por isso precisamos avançar. E como no ano que vem tem eleições, a gente precisa de muita velocidade ainda neste ano – reforça Postiglione.
A intenção do presidente do MobiCaxias é buscar nos próximos dias um novo encontro com o secretário Pedro Capeluppi, a fim de reiterar a necessidade agilizar os estudos sobre o futuro da Rota do Sol. A entidade entende que uma concessão da via é a melhor alternativa para manutenção e ampliação, e pede que a atual gestão deixe pronto um projeto nesse sentido.

