Toda cidade produz um campo de força emocional, digo isso porque no fim de semana fomos conferir as luzes do Brilha Caxias. A noite estava quente e limpa. Típica de uma noite de verão caxiense. Daquelas noites calorentas e sem brisa alguma. Quando chegamos ao centro fui muito impactada. Nossa sintonia com o lugar, neste caso a praça Dante, é muito maior do que imaginamos.
É claro que faço algumas ressalvas, mas primeiro falemos da beleza. Finalmente um investimento desta envergadura em Caxias. As luzes, a praça, o túnel de luzes que desce pela Júlio de Castilhos, revelam que nosso município também pode ser uma cidade mais leve e divertida. Mas o que chamou a atenção foi o número de pessoas, quase dez da noite, circulando com crianças, animais de estimação, chimarrão, cadeira de praia, tomando sorvete ou aproveitando o comércio local. Fiquei emocionada. Confesso, inclusive, que tive um deslocamento, pois não parecia Caxias. E então, a constatação: sim, as pessoas da nossa cidade desejam ocupar as ruas, andar por elas e não somente os carros, o trabalho e o estresse de todos os dias.
Havia famílias inteiras de todas as classes sociais, ocupando os espaços públicos, democraticamente, passeando. O centro é o coração da cidade, nem tanto pela centralidade em si, mas pela história, memória e pelo afeto que criamos com o lugar. Uma Caxias que ocupou a Júlio com mesas e cadeiras, algumas vitrines abertas, pessoas sentadas no meio fio conversando e até os carros respeitando o sinal vermelho. Uma raridade por aqui, diga-se de passagem, pois somos uma cidade que dirige muito mal.
Fiquei pensando nessa psicogeografia da qual fazemos parte e do quanto é necessário que o cidadão se sinta convidado a habitar a cidade para que ela ganhe vida. Quanto mais circulamos pelo lugar que moramos, mais transformamos este espaço em nossa casa. Andar é mapear com os pés. Há uma geografia do afeto que se constrói ou se restaura, na medida em que nos sentimos seguros para percorrer ruas, mesmo em meio a uma multidão de desconhecidos. Um espaço só se torna lugar quando tem movimento, pois é isto que confere sentido a ele.
O que me deixou decepcionada foi a poda, extremamente, mal feita nas árvores. Fiquei entre tentar entender se foi descaso, pressa, ignorância ou falta de projeto e planejamento. Caxias ainda tem muito a aprender sobre meio ambiente. Que cidade que não gosta de árvores. O fato é que, no verão escaldante que temos por aqui, as luzes não dão sombra e durante o dia a beleza desaparece. Uma pena.




