
Passo Fundo, no norte do Estado, possui cerca de cinco mil motoristas de aplicativo ativos e registrados. A estimativa é da Associação de Motoristas de Aplicativo de Passo Fundo (AMAPF), criada no início do mês. O número equivale a um condutor para cada 43 habitantes.
De acordo com o presidente da AMAPF, Alexandre Maias, apesar da profissão ser essencial para a logística na zona urbana, as condições de trabalho, como imprudência no trânsito, buracos e má sinalização, são precárias no município:
— Trânsito caótico, muitos riscos de acidentes, motoristas sem a atenção devida, o que ocasiona diversos problemas e por si afeta diretamente nosso trabalho. As vias da cidade devido a diversas obras, estão sucateadas, esburacadas e mal sinalizadas, ocasionando prejuízos com manutenções antecipadas, aumentando nosso custo de operação.
Para o motorista Lidomar Maschio, ativo nas plataformas há mais de três anos, o valor cobrado pelas corridas é injusto, ainda mais levando em consideração as situações que ocorrem diariamente, como o trânsito lento, o que faz com que as corridas dobrem de tempo:
— O motorista de aplicativo aqui em Passo Fundo é meio desvalorizado, principalmente quando colocamos na conta todos os custos que temos para trabalhar: combustível, manutenção, pneus, seguro e o próprio desgaste de ficar muitas horas dentro do carro. Para conseguir uma arrecadação razoável, o motorista precisa passar muito tempo trabalhando.
Taxas e valorização de aplicativos regionais
Alexandre relata que plataformas de empresas multinacional possuem taxas abusivas:
— As plataformas nos tomam uma porcentagem elevada do valor final da corrida. Por exemplo, por uma das plataformas disponíveis, a corrida custará para o passageiro R$40,00, o motorista recebe R$28,00, já os outros R$ 12 ficam com a plataforma, o que equivale a 30% da corrida. Esse exemplo é a realidade média.
Dessa maneira, os condutores encontraram aplicativos regionais que disponibilizam, segundo eles, um ganho mais justo para o motorista.
— Hoje existem alternativas locais que trabalham com uma proposta mais justa, que oferecem preços acessíveis ao usuário, mas ao mesmo tempo busca remunerar melhor o motorista — relata.



