Quem trafega pela RS-324 entre Passo Fundo e Marau convive com problemas que vão além dos buracos na pista. Ao percorrer todo o trecho de ida e volta da rodovia, em um total de 33,8 quilômetros, a reportagem de GZH identificou ao menos 30 placas de sinalização deterioradas e com pouca ou nenhuma visibilidade.
Placas encobertas pela vegetação, sujas, pichadas, tortas, queimadas e até caídas às margens da estrada, sem qualquer possibilidade de leitura pelos motoristas estão entre os problemas encontrados.
Em um trecho marcado por curvas e intenso fluxo de veículos, especialmente caminhões, a falta de visibilidade da sinalização preocupa quem utiliza a rodovia com frequência. Em alguns pontos, placas que indicam o início e o fim da terceira faixa estão inutilizadas, enquanto outras permanecem escondidas pelo mato.
— Em dias de chuva é mais complicado porque não tem sinalização. De noite, com neblina e chuva, é muito difícil enxergar. A gente acaba levando prejuízo — relata o técnico agrícola Mateus Bettiolo, 26 anos, que percorre a rodovia pelo menos três vezes por semana.
O músico e professor Luis Henrique Pasche também aponta a precariedade da sinalização.
— Tem vários trechos com placas cobertas pela vegetação ou caídas. É uma rodovia bastante sinuosa e isso acaba dificultando ainda mais para quem passa por ali, principalmente à noite.
Buracos preocupam motoristas

Além da sinalização comprometida, usuários da RS-324 afirmam que os buracos e desníveis continuam sendo um problema em diferentes pontos da rodovia, mesmo após operações de manutenção.
— Estourei dois pneus por causa dos buracos. À noite, com chuva e neblina, praticamente não dá para enxergar. Tem lugares em que é impossível desviar — conta Mateus.
Já o carpinteiro Darci Santos Maciel, 61 anos, diz que percebe melhora após os serviços recentes, mas afirma que ainda existem pontos perigosos:
— Melhorou um pouco depois que fizeram os reparos, mas ainda tem desníveis bem fundos nas entradas das ruas. Quem não conhece a rodovia acaba caindo nesses pontos.
Outro trecho citado pelos motoristas como crítico fica nas proximidades de São Luís da Mortandade e da Curva da Moega, onde, segundo os relatos, a combinação entre curvas e buracos exige atenção redobrada.
Rodovia registra um acidente a cada três dias
Dados da 1ª Companhia de Polícia Rodoviária mostram que a RS-324 registrou 59 acidentes de trânsito entre janeiro e 19 de julho deste ano. O mês com maior número de ocorrências foi junho, com 13 acidentes.
Do total registrado no período, 23 acidentes envolveram caminhões ou carretas, ou seja 38% das ocorrências. Os casos mais frequentes foram colisões transversais (15), tombamentos (nove), colisões laterais (sete), capotamentos (seis) e colisões frontais (cinco).
A Polícia Rodoviária aponta que 57 dos 59 acidentes ocorridos, a causa mais provável foi relacionada à conduta dos motoristas. A corporação afirma que não há indicativo estatístico que permita atribuir os acidentes às condições da rodovia ou da sinalização.
O que diz o Daer
Em nota, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que a última operação tapa-buracos foi realizada há cerca de uma semana e que novas intervenções serão executadas conforme a necessidade.
O órgão também informou que realizou serviços de roçada em maio deste ano e que uma nova etapa está prevista para ocorrer em breve.
Sobre a sinalização, o órgão disse que a recuperação depende da contratação de uma empresa especializada por meio de licitação. Conforme o departamento, a expectativa é de que a contratação seja concluída até o fim deste semestre.
