
Buracos profundos, remendos irregulares, afundamentos na pista e desníveis no asfalto passaram a fazer parte da rotina de quem trafega pela RS-324 e pela RSC-153, duas das principais ligações rodoviárias do norte do Estado.
Após as fortes chuvas registradas desde o fim de junho, motoristas e caminhoneiros relatam aumento dos danos no pavimento, prejuízos mecânicos e maior risco de acidentes nos dois corredores logísticos.
Na RS-324, os problemas são observados em diferentes segmentos da rodovia, especialmente entre Passo Fundo e Pontão e também no trecho entre Marau e Vila Maria. Em alguns pontos, o pavimento apresenta desgaste acentuado, com buracos surgindo pouco tempo depois da realização de reparos.
Para o motorista Estácio Antônio Ferraz, que utiliza o trecho diariamente, a situação preocupa.
— Está muito feio. Dá uma chuva, passam os caminhões e o asfalto não aguenta. Não tem condições — afirma o motorista.
Outro usuário da rodovia, Jorge Ribas, relata que os problemas reaparecem logo após as intervenções realizadas na pista.
— Está insuportável rodar. Eles fazem tapa-buracos, mas dá uma chuva e abre tudo de novo. O tráfego é muito grande e a estrada é precária — diz.
Além de reduzir a velocidade média das viagens, as condições da pista acabam refletindo diretamente nos custos de manutenção dos veículos.
— Um pneu custa mais de R$ 3 mil. Fora roda e outras peças. É um prejuízo grande. Em dia de chuva fica ainda mais perigoso — relata o caminhoneiro Murilo Pacheco Viegas.
Corredor estratégico para o transporte de cargas
Na RSC-153, a situação também gera preocupação entre transportadores e usuários da rodovia. Entre Passo Fundo e a BR-386, motoristas enfrentam aproximadamente 40 quilômetros com diversos pontos críticos.
A estrada é considerada uma rota estratégica para o transporte da produção agrícola e industrial da região em direção à Região Metropolitana e a outros centros de distribuição do Estado.
Segundo o caminhoneiro Vilmar Schneider, além dos buracos, há locais onde o pavimento apresenta afundamentos que afetam a estabilidade dos veículos.
— Tem muitos pontos em que a pista cedeu. Com a carreta carregada, a carga acaba se deslocando. Estão fazendo alguns reparos, mas basta chover para surgirem novos buracos. Essa rodovia precisa de um recapeamento urgente — afirma.
Excesso de chuva acelera desgaste

O agravamento das condições das rodovias coincide com o volume expressivo de chuva registrado no norte gaúcho entre os dias 28 de junho e 2 de julho. Segundo dados da Climatempo, municípios da região acumularam cerca de 100 milímetros no período, volume próximo ao esperado para um mês inteiro.
Conforme o professor de Engenharia Civil da Universidade de Passo Fundo (UPF), Francisco Dalla Rosa, a infiltração de água compromete a estrutura do pavimento e acelera o processo de deterioração.
— A água presente na estrutura abaixo do asfalto acelera o desgaste quando combinada às cargas provocadas pelo tráfego. Muitas dessas rodovias foram construídas há décadas e as camadas que sustentam o pavimento também podem estar comprometidas — explica.
De acordo com o especialista, a umidade excessiva favorece o surgimento de fissuras e amplia os danos causados pela passagem constante de veículos pesados.
O que diz o Daer

Em nota, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que os períodos de chuva intensa podem comprometer não apenas a camada asfáltica, mas também a estrutura que sustenta o pavimento.
O órgão afirma que acompanha as condições das rodovias estaduais e mantém contratos permanentes de conservação, incluindo serviços de manutenção do asfalto, limpeza dos sistemas de drenagem e intervenções emergenciais quando necessário. Confira a nota abaixo.
"O Daer informa que, certamente, o volume recente de chuvas impactou no pavimento dessas rodovias, principalmente, no que se refere ao surgimento de buracos. Esta semana, as equipes do Daer estão realizando operação tapa-buracos nas rodovias ERS-324, RSC-153. Os trabalhos consistem na recuperação dos buracos provocados pelo intenso tráfego, agravados pelos efeitos das fortes chuvas, restabelecendo, de forma gradual, as condições adequadas de circulação.
A chuva pode comprometer não apenas a camada asfáltica, mas toda a estrutura do pavimento. Quando surgem trincas no revestimento, a água infiltra-se nas camadas inferiores, acelerando o processo de deterioração. Por isso, a manutenção preventiva da superfície é fundamental para preservar a impermeabilidade do pavimento. Outro fator essencial é o funcionamento do sistema de drenagem. O pavimento é projetado para que a água seja conduzida por sarjetas e dispositivos de drenagem superficial e subterrânea, evitando a saturação do solo. Quando esses sistemas ficam obstruídos ou apresentam falhas, a água pode se acumular na estrutura da rodovia, comprometendo sua durabilidade. O Daer monitora continuamente as condições estruturais das rodovias e realiza intervenções sempre que identificada a necessidade. Para minimizar esses impactos, o Departamento mantém contratos de conservação rodoviária que incluem serviços periódicos de manutenção do pavimento e limpeza dos sistemas de drenagem, além de monitoramento técnico e execução das intervenções necessárias para preservar as condições de trafegabilidade e a vida útil das rodovias."


