Motoristas que passam diariamente pela ponte sobre o Rio Ijuí, na RS-344, entre Santo Ângelo e Entre-Ijuís, relatam insegurança com as condições da estrutura.
Com cerca de 228 metros de extensão, a ponte é uma das principais ligações rodoviárias da Região das Missões e registra fluxo intenso, especialmente nos horários de pico. No entanto, buracos na pista, desníveis visíveis e sinais de desgaste têm gerado preocupação entre os usuários.
— Essa ponte está condenada. Desde os anos 1980 ela começou a baixar no meio. Fizeram uma estrutura por baixo, mas continua cedendo. E a buraqueira em cima é horrível — relata o aposentado Darci Eloir Kaczen.
A estrutura, construída na década de 1950, sofre com a passagem constante de veículos pesados. Mesmo com sinalização proibindo o tráfego de caminhões acima do peso permitido, moradores afirmam que o controle é falho.
— A ponte balança, é perigoso. Passam caminhões carregados com mais de 30 mil quilos — conta Kaczen.
Além da trepidação, há relatos de que uma emenda entre os pilares iniciais, no lado de Santo Ângelo, aparenta estar mais baixa, intensificando a desconfiança quanto à estabilidade.
O morador Reni da Silva afirma que a estrutura já foi remendada em trechos anteriores, o que, segundo ele, pode ter enfraquecido ainda mais o conjunto:
— A ponte está precária, precária mesmo. Vai dar problema futuramente, eles remendaram ela, colocaram umas ferragens lá que enfraqueceram mais a ponte.

As críticas não vêm apenas da população. Em junho, os prefeitos de Santo Ângelo e Entre-Ijuís enviaram um ofício conjunto ao governo do Estado solicitando uma inspeção técnica.
— A ponte não é de responsabilidade dos municípios, mas somos cobrados. A população e a Câmara de Vereadores exigem providências. Por isso, levamos essa preocupação ao Estado — afirmou o prefeito de Entre-Ijuís, Brasil Sartori.
O prefeito de Santo Ângelo, Nivio Braz, também manifestou preocupação com o envelhecimento da estrutura.
— É uma ponte dos anos 1950, feita para outro tipo de veículo. Hoje temos bitrens. Nossa demanda é por uma vistoria técnica oficial que tranquilize a população — disse.
Enquanto isso, quem precisa atravessar o trecho todos os dias segue no receio.
— A gente torce para que não aconteça nada, mas fica um pouco receoso, né? — resume Alexandre Kapp, estoquista que utiliza a ponte com frequência.
O que diz o Daer
Em nota, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que realizou uma vistoria na ponte em março e concluiu que a estrutura não oferece risco à população.
No mês passado, o governo do Estado anunciou o repasse de R$ 1,6 milhão para a região de Santa Rosa, para execução de serviços emergenciais em rodovias, incluindo a RS-344. No entanto, não foi informado quando as melhorias devem começar e nem se a ponte será incluída entre as prioridades.


