
Pela segunda vez em 2026, Passo Fundo, no norte do Estado, encerrou um mês sem registrar homicídios. Dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) apontam que nenhum assassinato foi contabilizado no município durante os 31 dias de agosto.
A marca repete o cenário registrado em agosto de 2025 e mostra um panorama repetido somente uma vez neste ano. Em junho, a cidade também havia encerrado o mês sem homicídios.
O resultado chama atenção quando comparado aos números recentes. Em agosto de 2024, Passo Fundo registrou sete homicídios, o maior total para o mês desde 2011. Em entrevista ao programa Nosso Norte, da Rádio Gaúcha de Passo Fundo, a delegada Daniela Minetto, responsável pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) comentou sobre o controle dos casos e os números.
— Nós temos tido um certo controle nos casos de homicídios consumados aqui em Passo Fundo. É claro que sempre buscamos a redução dos números. Se pudéssemos ter zero homicídios, teríamos zero homicídios, mas infelizmente essa não é a realidade. O que buscamos é o combate aos crimes que acabam gerando os homicídios, especialmente aqueles relacionados ao tráfico de drogas — comenta.
Segundo a delegada, homicídios ligados a conflitos entre grupos criminosos e ao tráfico permitem uma atuação mais direta das forças de segurança.
— Quando o homicídio tem motivação relacionada ao tráfico de drogas, nós temos uma ingerência maior nessa redução. Já os crimes com características mais passionais ou motivados por conflitos privados são mais difíceis de prevenir — explica.
Confira os homicídios registrados no mês de agosto desde 2011.
O contraste mais expressivo ocorre entre agosto de 2024, quando foram registrados sete homicídios e 2025 e 2026, quando não houveram casos.
Mudança de cenário
Os dados reforçam o movimento de redução das mortes violentas registrado nos últimos anos. Recentemente, levantamento de GZH mostrou que Passo Fundo fechou o primeiro semestre de 2026 com 15 homicídios, contra 18 no mesmo período de 2025, 21 em 2024 e 28 em 2023.
Cada homicídio registrado na cidade é acompanhado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação envolve o esclarecimento das ocorrências já registradas, o monitoramento de conflitos que podem resultar em violência e ações integradas das forças de segurança para reduzir os índices criminais.
— O que nos interessa realmente é o controle desses índices. Estamos praticamente igualados ao ano passado e isso nos traz um certo alívio. Não havendo aumento, já é um dado positivo para nós — destaca.
A delegada também ressalta que a redução dos homicídios não é resultado de uma ação isolada, mas de um trabalho integrado entre diferentes órgãos da segurança pública.
— Essa integração existe não apenas entre delegacias da Polícia Civil, mas entre todas as forças de segurança. Temos reuniões periódicas nas quais analisamos dados, motivações e circunstâncias dos crimes para definir estratégias de enfrentamento e prevenção — afirma.
Segundo ela, as discussões reúnem representantes da Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Penal e Instituto-Geral de Perícias (IGP) dentro das ações do programa RS Seguro.
— Todos os meses são avaliados os cenários, as motivações e os contextos dos crimes para que possamos buscar sempre o controle e a redução desses índices — conclui.
Último registro
Apesar de agosto não registrar casos, o mês de setembro já contabiliza um caso. Carlos Vinícius Apolinario De Melo, 23 anos, foi morto a tiros na sexta-feira (4), na Rua Paulo Carrão, no bairro Boqueirão. Este foi o 23º caso da cidade.




