
À medida que passam os meses desde o ataque que vitimou uma criança em uma escola de Estação, no norte do Estado, amadurece também o sentimento da comunidade que precisou conviver com o luto.
Um ano depois, protocolos rígidos de segurança e reforço no acolhimento psicológico buscam ressignificar o ambiente escolar.
O ataque ocorreu na manhã de 8 de julho de 2025, na Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi. Um adolescente de 16 anos entrou na instituição alegando que entregaria um currículo e atacou alunos e uma professora com uma faca. Vitor André Kungel Gambirazi, de nove anos, morreu após ser atingido por ao menos 11 golpes. Duas alunas, de oito anos, e uma professora, 34 anos, ficaram feridas.
A secretária municipal de Educação, Marcele Anversa Lima, lembra do último ano como um processo coletivo de reconstrução.
— Passados os dias, a comunidade amadureceu muito. Tivemos todo mundo servindo do lugar onde estava para tentar reconstruir e seguir em frente, entendendo que precisávamos reconstruir essa tecidura da sociedade e ressignificar a Escola Maria Nascimento Giacomazzi da melhor forma possível — explica.
Segundo a secretaria de educação, após o ataque, alguns alunos solicitaram alteração de instituição. Mesmo assim, a escola ainda é a com mais matriculados na cidade.
O comandante da 1ª Companhia Independente da Brigada Militar de Getúlio Vargas, major Ailton Trindade, afirma que a comunidade conseguiu recuperar parte da tranquilidade.
— Hoje a gente percebe que os alunos conseguiram restabelecer uma energia positiva para seguir em frente. Na medida em que também temos que superar e apoiar, é o que a gente tem feito — comentou.
O major destaca que, desde o atentado, não houve novos episódios semelhantes. Para além disso, foram mantidos contatos com a Polícia Civil e o Ministério Público a fim de evitar novos episódios.
Reforço na segurança e atendimento à comunidade
Após o ataque, todas as escolas da rede municipal receberam reforço nas medidas de segurança. Foram instaladas câmeras de monitoramento em todas as salas de aula e também nas áreas externas. Cada escola passou a contar com botão do pânico e dois profissionais de segurança.
O acesso às instituições também foi modificado. Pais e visitantes só entram mediante agendamento, enquanto os estudantes são recepcionados pelas equipes escolares na entrada.
— Tivemos muita colaboração da comunidade escolar e dos pais para compreenderem esses novos protocolos, principalmente em relação ao controle da entrada e saída da escola — afirma a secretária.
O município também estruturou uma rede de apoio psicossocial para atender a comunidade escolar. Foi criada a função de psicóloga institucional na secretaria de Educação, ampliada a atuação do serviço de assistência social nas escolas e disponibilizado atendimento psicológico por meio da rede municipal de saúde.
Segundo a secretária, parte da comunidade buscou acompanhamento psicológico contínuo, enquanto outras pessoas procuraram os serviços apenas como espaço de escuta. O atendimento permanece disponível.
Estação também passou a integrar o Programa Federal Escola que Protege, do Ministério da Educação, voltado à prevenção da violência nas escolas e à reconstrução de ambientes atingidos por episódios de violência extrema.
A Brigada Militar manteve atenção especial às escolas da região, reforçou o policiamento e intensificou ações do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) na Escola Maria Nascimento Giacomazzi.
— Buscamos restabelecer a sensação de segurança para os alunos, os pais, os funcionários e toda a comunidade escolar. Mantemos uma atenção voltada à escola e às demais da região — afirma o major Trindade.




