
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou sete pessoas por homicídio e tortura em uma clínica de reabilitação em Estação, no norte do Estado. Quatro acusados já estão presos.
A investigação começou após a morte de um interno na Clínica Reviver em janeiro deste ano. Segundo a denúncia, a vítima foi levada para um dos quartos da instituição e espancada por vários dos acusados.
O homem, identificado como Marcos Bohn Nedel, 45 anos, sofreu múltiplas lesões e morreu em decorrência das agressões no dia 29 de janeiro. O MPRS também apontou outros episódios de tortura contra pacientes em períodos distintos.
A denúncia descreve ainda fraude processual. Conforme o MP, parte dos envolvidos teria tentado apagar vestígios do crime por meio da limpeza do local e da destruição de pertences da vítima.
Os denunciados, cinco homens e duas mulheres (mãe e filha), seriam responsáveis por castigos físicos, ameaças, dopagem forçada, agressões com objetos, disparos de espingarda de pressão, privação de liberdade e outras formas de violência física e psicológica, usadas como punição ou controle dos internos.
De acordo com o Ministério Público, uma das mulheres era responsável pela administração do centro terapêutico e pela coordenação da rotina da clínica, enquanto a mãe dela atuava como associada e teria participação na incitação que resultou no homicídio.
Relembre o caso

Em janeiro, a Polícia Civil de Getúlio Vargas abriu inquérito para apurar a morte de Marcos Bohn Nedel e passou a investigar a clínica por suspeita de tortura como método disciplinar.
Na época, três pessoas foram presas preventivamente — a proprietária da Clínica Reviver e dois monitores, um deles companheiro da mulher. A polícia chegou ao local após dois internos fugirem e procurarem a Brigada Militar para denunciar as agressões.
No dia da operação, 31 pacientes estavam internados. Parte deles passou por exame de corpo de delito. Três, que estavam em internação compulsória, foram transferidos para outra instituição, enquanto os demais retornaram para casa após serem ouvidos.
A Operação Tripalium também cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na interdição do estabelecimento por decisão da Justiça. Conforme a investigação, a clínica estava com o alvará vencido e funcionava em condições consideradas degradantes, segundo a polícia.





