
A movimentação dos mais de 30 mil estudantes que voltaram às aulas em Passo Fundo reacende o debate sobre segurança nas instituições municipais e estaduais. No município, a prevenção à violência acontece por policiamento e videomonitoramento.
Nas instituições municipais, o número de câmeras dobrou desde a implementação do Programa Escola Mais Segura, em 2021. Antes com 140 câmeras, as unidades têm hoje 331, uma média de quatro equipamentos para cada um dos 75 educandários.
Com dois filhos matriculados na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Professor José Laudário Haupenthal, no bairro Santa Maria, a mãe Julia Basso, 27 anos, avalia a segurança da instituição como satisfatória.
— Sempre se mantém o portão trancado, sendo necessário tanto na entrada, quanto saída, pedir a alguém liberação. Acho super necessário ter câmeras em todas as escolas e acho que seria muito bom ter também agentes (de segurança) — afirma.
Em 2023, a contratação de vigilantes não armados para reforçar a segurança nas escolas estava previsto, porém, conforme a secretaria de Educação, a medida não foi implementada. De acordo com o secretário Adriano Teixeira, o município optou por priorizar outras ferramentas, como as câmeras de monitoramento, o patrulhamento escolar e ações preventivas.
— Segurança é condição estruturante do processo educativo. Nós não registramos ocorrências graves nas escolas desde a implementação do programa, o que não demandou a revisão dessa diretriz (dos vigilantes) — disse.

Para a diretora do Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo (CMP), Geniane Dutra, casos de fuga e de ameaças publicadas em redes sociais também requerem atenção.
— As câmeras de segurança são importantes como ferramenta de monitoramento e prevenção, mas não são suficientes isoladamente. Nós defendemos que a tecnologia precisa estar associada a controle de acesso eficiente. Além disso, a segurança também passa pela saúde mental, combate ao bullying e promoção de uma cultura de prevenção no ambiente escolar — pontua.
Rede estadual
As câmeras de segurança também integram a rotina de educação na rede estadual. Segundo a coordenadora da 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Carine Weber, as 40 instituições têm sistemas de monitoramento, que são de autonomia de cada unidade.
Na avaliação do conselheiro do 7⁰ Núcleo do Cpers Sindicato, que representa os profissionais da rede estadual de educação, Orlando Marcelino, há lacunas na segurança das instituições, principalmente onde há obras em andamento.
— Temos situações precárias, principalmente agora com as obras não finalizadas. As escolas Wolmar Antônio Salton e a General Prestes Guimarães estão sem proteção, ficam com áreas abertas, sem o muro, por exemplo. As câmeras resolvem a identificação no pós do problema, não nos ajuda a prevenir a violência — afirma.
A coordenadora confirmou que as obras não estão finalizadas nas duas escolas, mas disse que as áreas sem cercamento estão com tapumes de isolamento.
Patrulhamento preventivo

A equipe da Patrulha Escolar conta com seis policiais da Brigada Militar, que atuam nas escolas municipais e estaduais. Conforme o comandante do 3° Regimento de Polícia Montada (RPMon), tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, o trabalho é exercido periodicamente ou conforme demanda:
— Nem sempre as demandas são relacionadas a crimes externos contra as escolas. Temos muitos pedidos para os horários de entrada e saída, por possível conflito entre alunos, retirada de arma branca que alunos levam na escola, além de fazer orientação a professores.
A atuação da BM também tem foco no policiamento ostensivo, com atuação além da repressão. Segundo Rovani, a presença policial busca promover um ambiente de confiança e proximidade entre a corporação e os estudantes.



