
A Polícia Militar Ambiental de Passo Fundo, que atende 18 municípios da região, registrou 119 denúncias de maus-tratos contra cães e gatos em 2025. O número é praticamente o mesmo do ano anterior, quando 116 ocorrências foram atendidas.
Em todos os 130 municípios do norte do Estado atendidos pelo 3º Batalhão de Polícia Ambiental, a corporação realizou o resgate de 579 aves silvestres e efetuou 307 fiscalizações de maus-tratos no mesmo período. Entre os casos, 42 resultaram em flagrante.
De acordo com o capitão Jeberton Dalmora, as denúncias vêm crescendo nos últimos anos, o que indica maior atenção da comunidade à causa animal.
— Quanto mais denúncias nós tivermos, maior a probabilidade de constatar essas ocorrências e punir a crueldade do ser humano em relação aos animais — destacou Dalmora.
Os casos mais frequentes atendidos pela Polícia Militar Ambiental envolvem condições inadequadas de higiene, alimentação precária e exposição ao frio, chuva ou sol intenso.
— Especificamente em Passo Fundo, nós também tivemos ocorrências de animais que foram mortos a tiro, a pauladas e tiveram membros, inclusive, retirados por ação dolosa do possuidor desse animal, ou até mesmo de terceiros — lembra Jeberton.
Caso Anja: símbolo da luta contra os maus-tratos

Entre os registros mais marcantes no norte do Rio Grande do Sul está o caso da cadela Anja, resgatada em julho de 2025 após sofrer mutilações nas patas dianteiras e traseira, além de apresentar anemia severa. O crime ocorreu no município de Caseiros.
O autor, o próprio tutor da cadela, foi preso. O homem, de 63 anos, já possuía histórico de maus-tratos a outros animais.
Segundo Jéssica Silva, voluntária da ONG Protetores Caseiros que está responsável por Anja, a cadela recebeu atendimento veterinário imediato e passou por duas cirurgias: uma de reconstrução das patas dianteiras e outra de amputação da pata traseira, que teve músculos, tendões e ligamentos seccionados.
Atualmente, a cadela passa por reabilitação, com previsão de colocação de próteses, custeada por doações, ainda neste mês.
— Ela é ativa e está se recuperando bem. Criou um laço forte com outro cão, o Pingo, e não demonstra medo de humanos. Na verdade, quando fomos resgatá-la, Anja ainda abanava o rabinho — conta Jéssica.
O caso de Anja simboliza a luta de voluntários e autoridades na região contra a violência aos animais, mobilizando a sociedade e reforçando a importância das denúncias.
Como denunciar maus-tratos a animais
Para o capitão Dalmora, o endurecimento da legislação brasileira nos últimos anos colabora com a conscientização da comunidade. A Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998) prevê detenção e multa para abusos, ferimentos ou mutilações. Desde 2020, contudo, casos envolvendo cães e gatos passaram a prever reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda.
A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço quando o crime resulta na morte do animal, reforçando o caráter punitivo da legislação.
Para registrar casos de maus-tratos, a Polícia Ambiental disponibiliza atendimento 24 horas via WhatsApp pelo número (54) 3335-8350 e pelas redes sociais oficiais do Comando Ambiental da Brigada Militar.
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