
As vítimas das empresas que fraudavam consórcios, deflagradas em operação da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (4), em Passo Fundo, eram, em sua maioria, escolhidas através dos perfis nas redes sociais e tinham em comum o fato de precisarem de crédito rápido.
Os detalhes sobre a investigação foram divulgados pela Polícia Civil e Brigada Militar em coletiva de imprensa, às 11h. Até o momento, 15 pessoas foram presas e seis empresas foram alvo de busca e apreensão. A estimativa é que elas comercializaram R$ 3 bilhões em consórcios apenas neste ano.
Conforme o delegado Marcelo Batista, de São Francisco de Assis, essa foi uma das maiores operações já realizadas envolvendo fraudes de consórcios.
O modus operandi dos criminosos seguia um roteiro semelhante: eles se aproveitavam do fato de o crédito rural estar escasso e ofereciam empréstimos com juros baixos e pagamento a longo prazo, mas omitiam que se tratavam de consórcios.
No processo, os golpistas prometiam que as vítimas seriam contempladas com o crédito dentro de poucos dias. Com esse argumento, as pessoas pagavam uma entrada pelo valor, mas nunca receberam o dinheiro prometido pelos criminosos.
Segundo a investigação, mais de 200 pessoas foram vítimas do golpe nesses moldes. Muitos eram produtores rurais já com grandes prejuízos em razão das quebras de safra dos últimos anos. Pessoas com esse perfil eram os principais alvos do grupo, uma vez que buscavam crédito para comprar maquinários e pagar dívidas, por exemplo.

Os golpes eram aplicados há quase uma década, com ramificações pelo RS, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Minas Gerais.
As cerca de 200 vítimas incluem produtores rurais, empresários, autônomos e pessoas em situação de extremo sofrimento econômico, muitas delas atingidos por eventos climáticos recentes, como a enchente de 2024. A polícia estima um prejuízo de R$ 30 milhões contra as vítimas do esquema.
Porsches, relógios Rolex e vida de luxo
Com o dinheiro das vítimas, os golpistas tinham vida de luxo, com carros de luxo e viagens para o exterior. Durante a ação foram apreendidos 37 veículos — incluindo modelos das marcas Porsche, Mercedes, Mini, BMW, Volvo, Toyota e Peugeot com valor estimado em R$ 15 milhões.
além de itens como joias e ao menos dois relógios Rolex estimados em R$ 500 mil. Também houve o bloqueio de imóveis e criptomoedas no valor de R$ 170 milhões.
Além disso, a investigação indica que, com o dinheiro das vítimas, os criminosos compraram imóveis de luxo no RS e em Santa Catarina. Só dois apartamentos em cidades catarinenses, um em Porto Belo, e outro em Balneário Camboriú, são estimados em R$ 20 milhões.
Um dos policiais envolvidos no esquema fez escolta de golpista com viatura da BM
Três policiais da Brigada Militar também foram alvo da investigação. São soldados do 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), de Passo Fundo, e faziam a escolta do grupo criminoso quando estavam fora de serviço. Em uma ocasião, um deles fez a escolta com uma das viaturas da Brigada Militar.
Conforme o tenente-coronel Rogério Navarro, comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) do Planalto, a Corregedoria-Geral já suspeitava desses fatos e colaborou com a investigação a partir do monitoramento desses soldados.
Um responde a inquérito policial, enquanto outro está no Conselho de Disciplina para possível exclusão do quadro da Brigada Militar. O caso aguarda sentença. Os dois já estavam afastados das atividades, enquanto um seguia atuando normalmente.
A reportagem apurou que tratam-se de:
- Luís Fernando Viecilli Bocchese (preso)
- Alcemir Rodrigues da Silva (preso)
- Cristiano Portella (não se apresentou até o momento).
— A Brigada Militar ressalta que se trata de uma minoria e que houve colaboração em toda a investigação. Esses indivíduos devem ser retirados da tropa — disse o tenente-coronel.
As defesas dos envolvidos não foram localizadas até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
Operação Consortium II
A ação desta quinta-feira é a segunda fase da Operação Consortium, que teve início na cidade de São Francisco de Assis, na Fronteira Oeste, a partir da denúncia de quatro vítimas que relataram adquirir consórcios supostamente contemplados de uma mulher de Passo Fundo.
Em outubro, a primeira etapa da ação prendeu cinco pessoas e cumpriu seis mandados de buscas e apreensão em diversos endereços do município, com recolhimento de aparelhos celulares, um veículo Volvo, bolsas de luxo, aparelhos eletrônicos, R$ 41 mil em espécie e uma pistola bersa calibre 380.
A Polícia Civil também pediu o bloqueio de mais de R$ 2,8 milhões, além do sequestro de veículos do grupo criminoso.
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