Um vídeo obtido pela RBS TV mostra policiais militares fazendo escolta para pai e filho investigados pela Polícia Civil por um esquema de consórcios para produtores rurais. Os três PMs que aparecem no vídeo e o pai foram presos durante operação na última quinta-feira (4). O filho segue foragido.
As imagens (assista abaixo) foram parte da Operação Consortium II, que prendeu 15 pessoas na última quinta-feira (4). Entre eles estão três policiais foram presos por envolvimento no esquema.
Mais de 200 policiais civis participaram da ação na quinta-feira passada e cumpriram mandados contra 16 suspeitos de integrar o esquema. A operação também fez buscas em seis corretoras de consórcios ligadas à quadrilha.
— Os PMs tinham plena consciência que eles eram estelionatários. Existem inúmeras ocorrências policiais, que são acessíveis também pelos PMs, que poderiam ser consultadas por eles, em que contra a pessoa que eles estavam protegendo existiam inúmeras ocorrências policiais de golpes de estelionato — disse o delegado Marcelo Batista Clerici, que liderou a investigação.
Segundo a Polícia Civil, os investigados buscavam comerciantes e agricultores oferecendo cartas de crédito que já diziam estar contempladas. As vítimas depositavam cerca de 10% do valor combinado para ter acesso ao benefício e só depois descobriam que a contemplação era falsa, perdendo todo o dinheiro.
Uma produtora rural, que preferiu não se identificar, procurava uma carta de crédito para quitar dívidas após enfrentar períodos de estiagem e enchentes. Ela buscava uma alternativa com juros mais baixos.
— São três secas e uma enchente gigantesca. O produtor rural tá sem acesso a crédito nos bancos hoje, em função de toda essa questão. Então a dificuldade redobrou — contou a vítima do golpe.
Primeiro, ela depositou R$ 1 milhão. Depois, sofreu um novo golpe: R$ 400 mil a título de um suposto lance, e perdeu tudo. Para suportar o prejuízo, está tendo que vender o patrimônio.
— Coloquei caminhão, apartamento em Porto Alegre à venda, imóveis — lamentou.
Roteiro da fraude

Segundo a polícia, havia uma espécie de roteiro da fraude. Uma das suspeitas orientava os outros integrantes da quadrilha sobre como enganar as vítimas.
— É ligação, aí tu pode socar (sic): "liberada, a carta sai em 30 dias". Por telefone tu pode falar, agora o WhatsApp não, porque é prova, né? — diz a golpista em áudio obtido durante a investigação da Polícia Civil.
— Todas as vítimas que nos procuraram relatam o mesmo ponto. Eles eram muito bons de lábia, vinham até a propriedade da pessoa, faziam contato direto. Eles utilizavam carros de luxo, eram bem vestidos, convidavam a vítima para ir até Passo Fundo visitar a sua empresa, mostrando credibilidade — esclareceu o delegado Marcelo Batista Clerici.
Com o dinheiro roubado das vítimas, os golpistas compravam diversos bens milionários e faziam viagens internacionais, de acordo com a investigação. Na operação, foram apreendidos 37 carros de luxo e bloqueados imóveis e dinheiro.
O que diz a BM
Por meio de nota, a Corregedoria da Brigada Militar disse que a corporação colaborou durante todas as etapas da investigação e no cumprimento dos alvarás judiciais.
"Dois deles (policiais militares) já estavam afastados da atividade operacional, em razão de ações internas previamente adotadas, resultantes de procedimentos investigatórios e de Conselho de Disciplina instaurado pela Instituição. A Brigada Militar reafirma que não tolera desvios de conduta e atua de forma rigorosa para proteger seus valores centenários", reiterou a instituição em nota.
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