
A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira (28) uma operação para reprimir e investigar o conflito na Reserva Indígena de Nonoai, no norte do Estado. A ação investiga o possível envolvimento de facções criminosas na disputa pela terra, além de homicídio e tentativas de homicídio.
Ninguém foi preso até o momento. Conforme apuração de ZH, a PF pediu a prisão dos dois caciques rivais, mas o pedido foi indeferido pela Justiça.
Durante a ação, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Federal de Passo Fundo. O inquérito apura o conflito armado entre dois grupos, que disputam a liderança da terra indígena, que tem cerca de 16 mil hectares.
Conforme o delegado da Polícia Federal, Sérgio Covatti Crespi, há indícios de que os grupos adversários teriam apoio de facções no fornecimento de armas e munições, apoio logístico e de pessoas.
— Há evidências de que ambos os grupos contam com apoio de faccionados. As medidas judiciais cumpridas hoje poderão nos auxiliar a aprofundar a investigação — disse.
Conforme a Polícia Federal, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos dois grupos beligerantes. Desses, oito foram na aldeia Bananeiras e 14 na aldeia Sede. A operação apreendeu armas de fogo e munições, além de outros elementos e objetos do interesse da investigação policial.
Entenda o conflito
A investigação começou no início de 2025 em resposta a uma série de confrontos armados e ao menos três tentativas de homicídio na localidade. A onda de violência veio na esteira de uma disputa entre dois dos três grupos da comunidade.
Conforme a Polícia Federal, a terra indígena é dividida em três aldeias: Bananeiras (em Gramado dos Loureiros), Sede (em Nonoai) e Pinhalzinho (em Planalto). Até o fim do ano, um único cacique liderava os três grupos. No início de 2025, porém, membros da aldeia Sede definiram que teriam um novo líder.
— Os indígenas da aldeia Sede fizeram um movimento para a independência, o que não foi bem recebido pelo então único cacique. A partir daí começaram os conflitos. Em março teve o primeiro grande confronto, em que membros da aldeia Sede expulsaram apoiadores do outro cacique e incendiaram 25 casas — relatou o delegado.
As ações resultaram em quatro tentativas de homicídio e incêndios criminosos em 25 residências, quando diversos indígenas foram expulsos do local. No mês de maio, um novo conflito resultou em um homicídio e outras duas tentativas de homicídio, além de crimes de dano e disparo de arma de fogo.
Os crimes investigados no inquérito policial são de homicídio qualificado (consumado e tentados), constituição de milícia privada, lesões corporais, ameaças, vias de fato, incêndios criminosos, porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito, dentre outros.
Conforme a Polícia Federal, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos dois grupos beligerantes. Desses, oito foram na aldeia Bananeiras e 14 na aldeia Sede. A operação apreendeu armas de fogo e munições, além de outros elementos e objetos do interesse da investigação policial.
O 3º Batalhão de Choque da Brigada Militar deu apoio à Polícia Federal na operação.
