
Depois do ataque a escola de Estação, no norte gaúcho, o governo federal enviou psicólogos do Ministério da Educação (MEC) para prestar suporte e acolhimento aos estudantes, profissionais e familiares afetados pela tragédia.
A medida vem na esteira do ataque à Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, que causou a morte de um menino de nove anos e deixou outras duas crianças e uma professora ferida na última terça-feira (8). Na quinta, a prefeitura anunciou que a Brigada Militar fará o policiamento dentro das escolas de Estação a partir de segunda-feira (14).
Ao todo, serão quatro especialistas do Núcleo de Resposta e Reconstrução de Comunidades Escolares em atuação. Desde quinta-feira (10), a primeira psicóloga a chegar na cidade já começou o trabalho à noite. A chegada dos demais é esperada para esta sexta-feira (11) e, no mais tardar, ao longo do fim de semana.
Conforme o MEC, trata-se de grupo criado no início de 2025 para apoiar escolas vítimas de violência. A iniciativa busca oferecer suporte psicossocial e desenvolver ações de prevenção, respostas imediatas e estratégias de reconstrução para comunidades escolares afetadas por episódios de violência extrema.
Segundo a secretária municipal de Educação de Estação, Marcele Anversa Lima, o atendimento acontece em etapas, começando pelos funcionários de todas as escolas, em especial a Escola Maria Nascimento Giacomazzi.
— Primeiro tem uma conversa com funcionários da escola, quando teremos atividades de como será a retomada das aulas e como os funcionários vão ser o apoio das famílias e alunos — explica.
Depois disso, o acolhimento deve se estender aos estudantes e familiares afetados. Na próxima segunda-feira (14) as aulas serão retomadas em quatro escolas de Estação. Já o retorno na instituição alvo do ataque terá procedimento especial de reinício das atividades, ainda sem data.

Frentes de atuação
O trabalho visa fortalecer a resiliência da comunidade escolar, mitigar impactos de ataques violentos e garantir retorno seguro e às atividades. O grupo atuará em três frentes:
- Prevenção: mapeamento de riscos e elaboração de planos de contingência
- Resposta rápida: mobilização de apoio psicossocial imediato, gestão de crise e primeiros socorros psicológicos
- Reconstrução: planejamento para retomada segura das atividades escolares, atendimento contínuo às vítimas e capacitação de gestores e professores.
Trauma em Estação
A morte trágica de de Vitor André Kungel Gabirazi, 9 anos, e a violência extrema que deixou ao menos três feridos na Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi transformaram a pequena Estação, município de 6 mil habitantes do norte gaúcho, desde a última terça-feira (8).
Em coletiva de imprensa na quinta (10), a prefeitura anunciou que a Brigada Militar vai trabalhar dentro das escolas do município a partir de segunda-feira (14), com policiais do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).
O Batalhão de Choque de Passo Fundo também irá reforçar a partir de segunda-feira a segurança na parte externa dos colégios e em ruas do município. Além disso, o Batalhão de Polícia de Choque deverá prestar apoio psicológico para funcionários e professores da escola atacada.
O adolescente de 16 anos que realizou o ataque ao local foi internado provisoriamente, após decisão da juíza Daniela Conceição Zorzi. A Polícia Civil deve concluir a investigação e remeter a instrução do ato infracional nesta sexta-feira (11).


