
Passo Fundo, no norte do Estado, registrou 434 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2025. O número é a soma dos atendimentos realizados pelo Hospital São Vicente de Paula (HSVP) e pelo Hospital de Clínicas (HC).
Segundo a neurologista do HSVP, Thaise Fellini Dal Moro, a rapidez no atendimento está entre os fatores que mais influenciam na recuperação do paciente e na redução de sequelas.
— Tempo é cérebro. A cada minuto que uma artéria fica obstruída no AVC isquêmico, mais ou menos dois milhões de neurônios morrem. Então, o quanto antes o paciente chega ao hospital, mais chance a gente tem de fazer uma medicação que pode diluir esse coágulo que está obstruindo a artéria e fazer com que a pessoa fique sem sequelas — afirma.
O atendimento começa ainda no local da ocorrência. Conforme o comandante do 7º Batalhão de Bombeiros Militar de Passo Fundo, tenente-coronel Alessandro Vicente Bauer, a avaliação neurológica faz parte dos protocolos adotados pelas equipes de resgate.
— Ao chegar à ocorrência, a guarnição deve realizar avaliação primária dos sinais vitais. Na sequência, realizar avaliação neurológica através da Escala Cincinnati. Diante do pré-diagnóstico de AVC, a conduta é providenciar transporte rápido para unidade hospitalar — explica.
Durante o deslocamento, as equipes acompanham o nível de consciência do paciente e observam possíveis alterações neurológicas. A identificação precoce dos sintomas permite que o hospital seja acionado com antecedência e prepare o atendimento.
Como identificar o AVC
A Escala Cincinnati, citada por Bauer, é uma ferramenta para identificar o acidente vascular cerebral. O neurologista do HC, Daniel Varela, explica que é possível memorizá-lo por um método mnemônico:
— A sigla é SAMU. O ‘S’ é de sorrir. A gente pede para o paciente sorrir, se ele tiver uma assimetria na careta facial, levanta um sinal de alerta. O ‘A’ é para o paciente abraçar, levantar os braços, isso vai testar a força dos membros superiores. O ‘M’ é de música, seria para ele falar uma frase, cantar uma música, se apresentar dificuldade, é outro sinal. E o ‘U’ é de urgência, para o paciente seja transferido imediatamente a um hospital.
Conforme o médico, formigamento, desorientação e vertigem intensa também podem ser experienciados por pacientes em suspeita de AVC.
Prevenção

O controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, e aumento de colesterol é essencial para a prevenção do acidente vascular cerebral, afirma Dal Moro. A principal instrução é manter hábitos saudáveis, como:
- Praticar exercícios físicos;
- Evitar consumo de álcool;
- Não fumar;
- Ter uma alimentação balanceada;
- E fazer o acompanhamento médico regularmente.
— Menos de 20% dos casos são associados com fatores genéticos, alteração de coagulação do sangue. Mas 80% dos casos são associados a esses fatores de risco, e, portanto, podemos prevenir— diz Dal Moro.





