
Celulares, tablets, computadores e televisões fazem parte da rotina de grande parte da população. Presentes no trabalho, na escola e nos momentos de lazer, os dispositivos eletrônicos ocupam cada vez mais espaço no dia a dia.
No entanto, o aumento do tempo diante das telas tem levantado preocupações entre médicos, principalmente pelos impactos na saúde ocular.
Entre os principais alertas está o crescimento dos casos de miopia, condição que dificulta a visualização de objetos distantes e que vem sendo observada com maior frequência, especialmente entre crianças e adolescentes.
Sintomas vão além do desconforto visual
O uso prolongado de aparelhos eletrônicos pode provocar uma série de sintomas. Entre os mais comuns estão cansaço visual, sensação de olhos secos, irritação ocular e dores de cabeça.
Além dos sinais imediatos, o médico oftalmologista Wagner Schneider afirma que a relação entre o excesso de telas e o aumento dos casos da doença já foi observada em diferentes estudos.
— Está comprovado que isso está relacionado ao aumento do número de horas de tela. A miopia está associada às atividades para perto, especialmente em crianças que passam muito tempo no celular. Esse cenário aumentou significativamente nos últimos anos, principalmente após a pandemia — explica.

Segundo o especialista, a dificuldade para enxergar conteúdos à distância costuma ser um dos primeiros sinais percebidos pelas famílias.
— São crianças que precisam ficar mais próximas da televisão ou apresentam queda no desempenho escolar porque não conseguem enxergar adequadamente o que está distante — afirma.
De acordo com o médico, as recomendações indicam que crianças menores de dois anos não utilizem telas.
— Para crianças de zero a dois anos não existe tempo seguro de tela. A recomendação é não utilizar celulares, tablets ou equipamentos semelhantes nessa faixa etária — destaca.
Para crianças entre dois e cinco anos, a orientação é limitar o uso a, no máximo, uma hora por dia. Após essa idade, o ideal é que o tempo seja controlado e não ultrapasse duas horas diárias fora das atividades escolares.
Alternativas para as telas

Em casa, algumas famílias já adotam estratégias para evitar que a tecnologia ocupe grande parte da rotina das crianças.
A assistente administrativa Gisele da Rosa Juriati conta que procura substituir o tempo de tela por outras atividades logo após a chegada da filha da escola.
— A gente tenta incluir jogos, brincadeiras e pequenas tarefas do dia a dia para que ela se mantenha ocupada e use menos as telas — relata.
Segundo ela, a redução da exposição aos aparelhos trouxe reflexos positivos no aprendizado e no comportamento.
— A atenção dela é outra quando está longe das telas. A gente percebe ganhos importantes na escola e nas atividades do dia a dia — finaliza.


