
A fila de pacientes que aguardam consultas e exames em oftalmologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) caiu 72% na área de abrangência da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), região de Passo Fundo.
No mesmo período, a fila de ortopedia de joelho — que inclui consultas, exames e procedimentos cirúrgicos — teve redução de 5%.
Os dados integram o balanço do Programa SUS Gaúcho, estratégia criada pelo governo do Estado para reduzir as maiores filas de especialidades eletivas.
Entre abril e dezembro de 2025, a fila da oftalmologia na região passou de 4.784 para 1.355 pacientes. Já a de ortopedia de joelho caiu de 2.558 para 2.439 usuários aguardando atendimento.
Embora os percentuais sejam distantes, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) destaca que as duas especialidades têm características distintas dentro do programa. Enquanto a oftalmologia contempla apenas consultas e exames, a ortopedia de joelho prevê também a realização de cirurgias, o que exige uma estrutura hospitalar mais complexa.
— O Programa SUS Gaúcho é uma iniciativa voltada à redução das filas prioritárias em todo o Estado. Dentro do fluxo de adesão, os prestadores manifestam interesse em participar e ampliar a oferta de atendimentos à população. A diferença entre as especialidades está relacionada também à complexidade de cada proposta — afirma o diretor do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da SES, Marcelo Reidel.
Na prática, clínicas e hospitais podem aderir à proposta de oftalmologia oferecendo consultas e exames especializados, sem necessidade de centro cirúrgico.
Já na ortopedia de joelho, além das consultas e exames, é preciso disponibilizar procedimentos cirúrgicos, equipes especializadas, leitos e infraestrutura hospitalar.
Adesão dos prestadores influencia resultado
Em 2025, a 6ª CRS contou com dois prestadores credenciados para oftalmologia, que ofertaram 2.018 atendimentos. Na ortopedia de joelho, oito prestadores aderiram ao programa, totalizando 604 atendimentos.
Apesar do número maior de instituições participantes na ortopedia, a quantidade de atendimentos foi significativamente menor devido à complexidade dos serviços realizados.
— Um dos fatores que pode ter contribuído para a diferença observada é a menor oferta de atendimentos na área de ortopedia de joelho. Mesmo com adesão de prestadores, trata-se de uma especialidade que demanda recursos mais complexos para execução dos procedimentos — afirma Reidel.
O cenário se manteve semelhante em 2026. Entre janeiro e abril, dois prestadores ofertaram 2.428 atendimentos em oftalmologia na região. Já na ortopedia de joelho, cinco prestadores disponibilizaram 552 atendimentos.
Região supera média estadual na oftalmologia
A redução registrada na 6ª CRS foi superior à média estadual na oftalmologia. Em todo o Rio Grande do Sul, a fila da especialidade caiu 59% entre abril e dezembro de 2025, passando de 133,8 mil para 55,4 mil pacientes. No período, 35 hospitais e clínicas aderiram ao programa e ofertaram mais de 84 mil atendimentos.
Na ortopedia de joelho, a redução estadual foi de 36%, com a fila passando de 20,8 mil para 13,2 mil usuários. Segundo a SES, 56 hospitais e clínicas participaram da estratégia, que também impulsionou a realização de cirurgias. A média mensal de procedimentos passou de 201 para 1.150 nos últimos três meses de 2025, um aumento de 472%.
O programa foi lançado com a meta de reduzir cerca de 70% das duas maiores filas eletivas do Estado — oftalmologia e ortopedia de joelho — que somavam mais de 108 mil pacientes em espera.
Para 2026, a estratégia foi ampliada e passou a incluir também dermatologia, otorrinolaringologia, ortopedia geral e urologia, com previsão de investimento de R$ 324 milhões pelo governo estadual.




