
Os chamados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Passo Fundo, no norte do RS, passaram a seguir um novo modelo de atendimento, com regulação médica local. O formato, em funcionamento desde janeiro, permite que o direcionamento das ligações ao 192 sejam feitas por médicos na própria cidade.
Dos 575 atendimentos realizados no primeiro mês, quase 90 (16%) foram regulados pelos médicos. Em comparação com janeiro do ano passado, quando a cidade operava sem regulação local e com uma ambulância de suporte básico e outra de intermediário, houve acréscimo de 23,7% nos atendimentos totais (465).
Para a coordenadora do serviço do Samu local e responsável técnica da enfermagem, Juliana Tessaro, o número mostra que as equipes já conseguem atender mais casos ao ter controle mais amplo dos chamados:
— Foi um mês ainda de treinamento e testes, mas, mesmo assim, avaliamos que estamos conseguindo assumir mais casos, dar melhor preferência e perder menos tempo nos deslocamentos.
Chance ao paciente
No momento da ligação ao 192, o solicitante é atendido por um médico em Porto Alegre, que reúne informações básicas do paciente (nome, idade e endereço) e os principais sintomas. A partir daí, o caso será classificado como urgência ou emergência e a ligação será encaminhada para a regulação médica do Samu local.
É nessa hora que ocorre a principal diferença do novo serviço: agora, o médico em Passo Fundo é quem atende a ligação. O profissional vai entender melhor a situação e direcionar as equipes para atendimento, além de ter acesso aos casos que estão em fila de espera. Esse controle permite que a equipe esteja mais preparada e os pacientes ganhem tempo.
— Temos facilidade de gerir melhor nossos recursos, liberando as equipes com mais facilidade e otimizando o fluxo pros hospitais. Queremos evoluir mais, ter o serviço de forma integral. Também queremos separar uma equipe dos médicos que vão pra rua dos que fazem a regulação, porque hoje atacamos nas duas frentes — avalia a médica reguladora do Samu, Maria Cristina Magon.
— O paciente está ganhando vida nesses minutos que conseguimos “economizar” ao ir atender. É uma chance a mais para o paciente. No caso da fila de espera, se demorar muito, podemos ir pedindo apoio para os bombeiros ou ambulâncias privadas para nos ajudar — explica a coordenadora.
Meta é regulação 24h
O serviço do Samu continua funcionando 24 horas por dia, mas a regulação ocorre apenas de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. A equipe conta com nove médicos, sendo que três deles estão habilitados para fazer a regulação. Essa equipe trabalha de forma híbrida tanto na regulação, quanto nos atendimentos na rua.
Conforme a coordenadora, a ideia é que todos os nove médicos estejam aptos até o meio do ano, para que o serviço possa funcionar 24 horas.
— Vamos qualificar todos os médicos para termos a regulação compartilhada 24 horas na nossa cidade, essa é a nossa meta e já estamos trabalhando para isso acontecer quanto antes — almeja Juliana.
Emergência ou urgência?
A principal diferença entre emergência e urgência é o risco imediato de morte, o que também vai definir o tipo de atendimento do Samu. Entenda:
- Emergência (imediato): risco de vida ou perigo imediato, exige ação instantânea para evitar a morte ou lesões irreparáveis.
- Urgência (rápido): situação grave, mas sem risco iminente de morte, que precisa ser tratada prontamente para não evoluir para uma emergência.
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