
De 2021 a 2024, as neoplasias malignas, nome técnico dado ao câncer, causaram a morte de 1.404 pessoas em Passo Fundo. O número, divulgado pelo Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) na quarta-feira (4), data reconhecida como o Dia Mundial do Câncer, chama a atenção para a incidência e formas de prevenir a doença.
O número de mortes de 2025 não foi divulgado até a publicação da reportagem, mas deixa claro sobre a necessidade de alertas em relação ao câncer — especialmente em um cenário de subnotificação.
Segundo o médico oncologista e responsável técnico pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Álvaro Machado, ainda que os registros estejam cada vez mais apurados, há muitos casos de mortes que não entram nas estatísticas desta forma.
— Por exemplo, o paciente fez todos os tratamentos possíveis contra o câncer, mas morreu com uma infecção. Esse é um evento final do câncer, mas muitas vezes isso não está registrado porque internou como pneumonia, por exemplo — explicou.
Qual o câncer mais prevalente na cidade

De todos os tipos de câncer, o mais prevalente em Passo Fundo de 2021 a 2024 foi o de brônquios e pulmão: ao todo, 206 pessoas morreram em decorrência da doença no período. Em 2024, foram 63 casos na cidade — o volume mais alto desde 2021.
Entre as hipóteses para justificar a incidência estão o alto índice de tabagismo, poluição do ar e pulverização de agrotóxicos, como afirma o médico oncologista:
— Quando se fala em poluição do ar, não é só a fumaça do carro, mas o volume de partículas. Como a nossa cidade ainda tem plantações bem próximas à área urbana, toda vez que existe a pulverização (de agrotóxicos), respiramos uma bela quantidade de partículas e, eventualmente, até de substâncias cancerígenas.
Depois do câncer de brônquios e pulmão aparecem os tumores de cólon, reto e ânus, com 183 mortes de 2021 a 2024. Em seguida está o câncer de mama, com 130 mortes no período. Os tumores de próstata, colo de útero e estômago, por sua vez, representam 92, 30 e 61 casos entre aqueles anos, respectivamente.
Seguindo a tendência nacional, o câncer de cólon, reto e ânus demonstra crescimento nos índices no município: passou de 41, em 2021, para 50, em 2024. Consumo de alimentos multiprocessados, sedentarismo e obesidade são os principais fatores para o desenvolvimento da doença, além da cultura de consumo excessivo de carne vermelha da região.
No caso do câncer de mama, as principais causas são ligadas a fatores genéticos, hormonais, tabagismo, sedentarismo e consumo de álcool. Na cidade, porém, o diagnóstico tardio também chama a atenção para o número de mortes pela doença.
— Em Passo Fundo, especificamente, há uma baixíssima adesão à mamografia de rastreamento. Menos que 20% dos exames necessários são realizados na rede pública do município — relata o médico oncologista.
Prevenção e sinais de alerta

O ditado "quem procura, acha" nunca foi tão verdadeiro nesse caso. Segundo o médico oncologista, o ideal é que o câncer, ou lesões que podem levar ao câncer, sejam identificados ainda na fase assintomática através de exames rotineiros.
— O ideal é que as pessoas conversem com seus médicos e façam os exames mesmo sem sentir nada — reiterou o médico.
Além disso, é essencial ficar atento aos sinais de alerta. São eles:
- Surgimento de caroço não habitual
- Lesões que não cicatrizam, especialmente na região da boca
- Alteração do hábito intestinal
- Diarreia frequente
- Sangramento vaginal fora do período menstrual
- Dor durante relações sexuais
- Manchas escuras, assimétricas ou que aumentem de tamanho
- Emagrecimento com causa desconhecida.
Cerca de um terço de todos os casos de câncer poderiam ser prevenidos evitando os principais fatores de risco, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as formas de prevenção estão:
- Não fumar (qualquer tipo de cigarro)
- Evitar exposição excessiva ao sol
- Se vacinar (no caso do câncer de colo do útero)
- Evitar o consumo de álcool
- Praticar exercícios físicos
- Realizar refeições com alimentos in natura (e não ultraprocessados).
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