
Passo Fundo registrou um surto de cinomose no último mês. Em apenas uma semana, foram confirmados casos de 18 cães infectados, conforme a Coordenadoria de Bem-Estar Animal do município.
Uma das principais doenças infectocontagiosas que atingem os cachorros, a cinomose é causada por um vírus altamente transmissível. Assim, embora os números tenham diminuído em setembro, a situação acendeu um alerta para tutores e profissionais da área sobre a necessidade de prevenção.
— Começaram em julho e agosto teve um pico. O que chamou a atenção é que os casos não foram específicos em filhotes, mas em animais de todas as idades. Todo ano tem cinomose, mas neste foi mais acentuado — explica a coordenadora Maria de Lourdes Secorum.
Muitos dos cães já chegam na Coordenadoria de Bem-Estar Animal em estado grave. Conforme Maria de Lourdes, isso acontece porque normalmente os tutores tentam tratar os animais em casa.
— Poucas pessoas têm a consciência de que o animal precisa de vacinação. Temos que trazer o hábito de vacinação de volta — afirma.
Principais sintomas e tratamento

O médico veterinário e especialista em virologia, Luiz Carlos Kreutz, explica que a contaminação acontece principalmente pelas vias respiratórias, boca ou contato com água e objetos contaminados.
Após a infecção, o cão pode apresentar um pico de febre ainda na primeira semana, mas os sintomas mais intensos surgem após sete dias. Entre os sinais clínicos estão secreção nasal e ocular, conjuntivite, tosse, perda de apetite e apatia.
Em quadros mais graves, o vírus pode atingir o sistema gastrointestinal, causando vômito e diarreia, ou mesmo o sistema nervoso central, levando a tremores, convulsões e doenças neurológicas.
— É essencial que se faça o protocolo de vacinação correto com recomendação de um veterinário. O vírus da cinomose é fácil de eliminar no meio ambiente: água, sabão e álcool matam o vírus, mas é importante que o animal esteja imunizado — orienta o veterinário.
O combate à infecção e o tratamento da doença, no entanto, são delicados e incertos, pontua Kreutz:
— O tratamento quando chega na segunda fase é complicado, pode dar certo como não pode. Falamos que o prognóstico é reservado, nunca podemos assegurar que ele vai ficar bom. É feita uma medicação de suporte com soro, antibiótico e anticonvulsivante, por exemplo, mas não existe nenhuma droga contra o vírus.
Vacinação é fundamental

A forma mais eficaz de prevenção da cinomose é a vacinação. O especialista em virologia lembra que existem vacinas múltiplas, como a óctupla, que protege os cães contra oito doenças graves, incluindo a cinomose.
— O protocolo geralmente começa entre 45 a 60 dias de vida do filhote, com três doses aplicadas em intervalos de 21 a 30 dias. Também é recomendado fazer (reforço) com seis meses e um ano. A partir daí, o ciclo da vacinação estaria completo por alguns anos, mas muitos veterinários recomendam vacinar anualmente — resume.
O veterinário reforça que a cinomose não oferece risco aos humanos, mas lembra que surtos podem voltar a acontecer devido às mutações do vírus e à baixa cobertura vacinal.





