
Coração, pulmão, fígado, rins e córneas, cada um deles com destino certo: devolver o fôlego, o ritmo e o brilho do olhar para quem há tempos espera na fila de transplantes. Na manhã desta quarta-feira (12), a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, no norte do RS, realizou a captação dos órgãos.
Em meio à dor da despedida, uma família disse “sim” para a vida, autorizando a retirada dos múltiplos órgãos de um único paciente. As doações agora são sinônimos de esperança para pacientes de todo o Brasil.
Para auxiliar na missão, uma equipe especializada em transplantes veio de Porto Alegre para o norte gaúcho. Ao todo, nove profissionais trabalharam na captação.
O processo foi acompanhado ainda pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, que se envolve nas etapas de identificação do potencial doador e apoio à família.
Mesmo em luto, os familiares decidiram multiplicar vidas. Mais que um procedimento médico, a doação de órgãos é um ato que transforma a dor e novas possibilidades de enfrentar condições médicas e garantir o bem-estar de outros pacientes.
A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante destaca que é fundamental que as famílias conversem sobre o assunto e expressem em vida o desejo de serem doadoras.
O Rio Grande do Sul realizou 1.634 transplantes de órgãos no ano passado. O número representa um aumento de 5,6%.
Caminho para receber um órgão
Muita coisa precisa ocorrer até que um órgão seja doado. Equipes são mobilizadas e famílias, sensibilizadas. Entenda, em alguns passos, como isso é feito:
- Morte de um paciente – Para doação de órgãos é necessária a morte encefálica, que é atestada por um rígido protocolo. Já para a doação de tecidos, um paciente morto em parada cardíaca sem contraindicações pode ser doador, respeitando o mesmo trâmite de autorização familiar e demais passos
- Conversa com a família – O passo seguinte é conversar com a família, que precisa autorizar, mesmo que tenha havido uma manifestação do doador morto, no sentido de doar. Equipes especializadas, com psicólogos e outros profissionais, são treinadas para fazer isso da forma mais humanizada possível
- Condição clínica – A avaliação para habilitar a doação é feita pela equipe de captação, que levanta a ficha do paciente, procura infecções ou contraindicações
- Mobilização das equipes – Neste momento, atuam tanto os profissionais que fazem a retirada quanto os que implantam cada órgão, de acordo com sua especialidade. Enquanto isso, uma equipe também entra em contato com o paciente indicado para receber o órgão ou tecido. Tudo precisa ser feito com a maior celeridade possível
- Coleta do órgão – As equipes responsáveis por cada órgão fazem a retirada, de forma que o corpo seja entregue para a família sem sinais aparentes, permitindo que a despedida, de acordo com cada cultura ou religião, transcorra sem qualquer diferença – este é outro mito que prejudica possíveis doações
- Preparação – Na outra ponta, o paciente que vai receber o órgão ou tecido já está sendo preparado para isso. São feitos exames complementares e atestada a capacidade de passar pelo procedimento, além da compatibilidade
- Transplante – É no bloco cirúrgico que esses dois elos se unem. O órgão ou tecido é finalmente implantado no paciente, que nas semanas seguintes tem a atenção voltada à “pega”, ou seja, à entrada em funcionamento daquele novo órgão ou tecido em conjunto com seu organismo
- Doador vivo – Nestes casos, doador e receptor passam por exames que atestam a compatibilidade e as condições para que sejam submetidos ao procedimento. Eles são levados juntos para o bloco cirúrgico, cada um com sua equipe: uma é responsável pela coleta e outra, imediatamente, faz a implantação.

