
O Brasil tem um mês dedicado à conscientização sobre doenças que afetam a saúde vascular, como acidente vascular cerebral (AVC), aneurismas, enfarto e insuficiência venosa crônica. A campanha Agosto Azul e Vermelho aguarda aprovação no Senado Federal para validar ações institucionais voltadas a informar a população.
O objetivo é incentivar a prevenção e o tratamento de distúrbios cardiovasculares, as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Algumas das doenças são silenciosas, com sintomas que demoram a aparecer.
— A campanha é uma forma de levar ao público a conscientização sobre a saúde vascular. As cores, azul e vermelho, tentam fazer uma comparação com as veias, que geralmente nos exames de ecografia vascular aparecem em azul, e as artérias, que aparecem em vermelho — explica o cirurgião vascular, Adolfo Lara Brkanitch.
Conforme o médico, dois aspectos principais devem ser considerados quando o assunto é prevenção. O primeiro ponto é estimular a qualidade de vida, com hábitos saudáveis, incluindo alimentação, sono, exercícios físicos e controle do estresse. Como complemento, vêm exames de rotina e exames de acordo com o perfil de risco de cada paciente, onde é importante a avaliação personalizada.
— Existem estatísticas que colocam a doença cardioneurovascular como um todo, acometendo os infartos no coração e o AVC no cérebro, junto com as demais doenças vasculares periféricas, como a primeira causa de morte no Brasil — destaca.
Sinal de alerta

Entre as doenças que afetam a saúde vascular, uma em particular é bem visível e pode ser um primeiro sinal de alerta: as varizes. Autoidentificável, ela se manifesta a olho nu, facilitando o diagnóstico.
— As varizes são mais frequentes e têm menor mortalidade, mas elas complicam muito. Reduzem a qualidade de vida porque podem sangrar, doer, inchar a perna e até abrir feridas, que são as úlceras venosas — enfatiza o médico.
Existe uma classificação clínica de varizes que vai de grau um, que são as varicoses, até o grau seis, sendo o extremo das úlceras venosas. De acordo com o especialista, o histórico familiar é o fator predisponente número um para a doença, mas hábitos de vida e influências externas, como ficar muito em pé, também impactam.
Por isso, as veias que aparecem demais podem não ser apenas uma preocupação estética, e sim um alerta que o organismo está dando. O sangue parado, que fica em grandes varizes, pode levar à trombose.
— Se acometer somente o sistema superficial, nós chamamos de trombose venosa superficial. Porém, quando as varizes são muito calibrosas e têm conexões com o sistema profundo, aí pode ser um fator de risco para trombose profunda — avisa Brkanitch.
Assim, o recomendado é sempre buscar um especialista para o esclarecimento do prognóstico.



