
No domingo (7), eleitores de Braga, município de 3,3 mil habitantes da Região Noroeste, vão às urnas escolher um vereador em eleição suplementar. O pleito ocorre após a morte do parlamentar Bolivar Della Libera, em 23 de julho deste ano.
Os dois únicos concorrentes são os irmãos Everton Della Libera e Vitória Caroline Della Libera, filhos do vereador que morreu.
A vaga ficou disponível porque o partido do vereador, o PP, não tinha suplentes. O regimento interno da Câmara Municipal determina que, nesse caso, é necessário realizar nova eleição — algo inédito no país, segundo a Justiça Eleitoral (leia mais abaixo).
Situação semelhante, de dois irmãos disputando uma cadeira na Câmara, ocorreu na eleição passada, em 2024, quando Inez e Carlos Lorenzatto concorreram pelo mesmo partido.
— Concorremos eu, meu esposo e meu irmão pelo PP. Nós três nos elegemos — contou Inez, a viúva de Bolivar Della Libera.
Agora, ela é mãe dos dois candidatos. Com o coração dividido, Inez ainda não sabe quem vai levar o seu voto.
— Vamos decidir. Vou botar num copinho e sortear, acho que o melhor é isso — brincou.

Os 2.886 eleitores aptos a votar em Braga também vão precisar tomar essa decisão. A votação no domingo é obrigatória, com as sessões eleitorais funcionando das 8h às 17h.
Apesar da disputa, o clima é de tranquilidade nas ruas de Braga. Não há carros de som ou bandeiras na campanha dos candidatos.
— Não sabia, não tem propaganda de nada, né? — comentou o motorista Oziel Oliveira Valau.
Segundo os moradores mais antigos da cidade, a situação é incomum para um "ano eleitoral".
— A eleição aqui é bem movimentada, tanto para pleito municipal quanto governamental e federal. Não é normal não ter propaganda — disse o comerciante Cleber Eduardo Rossetto.
A decisão de apenas dois candidatos disputarem o cargo de vereador foi tomada em conjunto por todos os partidos, que definiram que somente o PP inscreveria postulantes.
— Nós fizemos nossa convenção aqui do partido e foi meio que unânime, para todo mundo, não largar candidato. Nos outros partidos, fizeram meio que o mesmo — explicou o presidente da Câmara de Vereadores, Everaldo Mangini (MDB).
Inédita no país
A eleição suplementar para eleger um único vereador ou vereadora é inédita na história recente do país, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS).
— É o primeiro caso no Brasil. Foi feita uma pesquisa de jurisprudência pela nossa Secretaria Judiciária e não se encontrou nenhum caso. E o próprio TSE nunca tinha operacionalizado nenhuma eleição dessas — detalhou o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RS, Daniel Wobeto.
Neste cenário, a Câmara de Braga poderia seguir com oito vereadores ou consultar o TRE-RS sobre a realização de novas eleições para preencher a nona vaga.
— Havia duas opções: ou deixar a vaga em aberto ou fazer a eleição. O município optou por fazer a eleição — disse Wobeto.
Ao todo, 13 urnas eletrônicas foram distribuídas em oito locais de votação. A eleição correrá com apoio de 36 mesários.
O ineditismo da situação fez o setor de TI do TRE-RS aplicar testes para avaliar se o sistema de candidaturas aceitaria os parâmetros de uma eleição com esta configuração.
— Tivemos que testar o sistema. É uma situação tão inusitada que não faz parte dos cenários de testes de situações normais. Tivemos, inclusive, que alterar o sistemas de candidaturas para permitir que se cadastrasse apenas uma vaga — apontou Wobeto.
🤳 Para ler mais sobre o que acontece na região, entre no canal de GZH Passo Fundo no WhatsApp e receba as principais informações do dia. Clique aqui e acesse.



