
Ampliar movimentos, estimular a fala e favorecer a socialização por meio de atividades lúdicas e educativas. As chamadas terapias sensoriais têm se consolidado como aliadas no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ao trabalhar, de forma integrada e por meio do brincar, diferentes estímulos do corpo e da mente.
Essas atividades podem aparecer como natação, equoterapia, musicoterapia ou até em salas multissensoriais, presentes em centros públicos e privados especializados no tratamento do autismo. Com luzes, sons, texturas e objetos interativos, essas salas são pensadas para estimular os sentidos de forma organizada, contribuindo para o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional.
Em Passo Fundo, no norte do RS, o serviço é oferecido aos assistidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), independente da idade, como aponta a coordenadora do Centro Regional de Referência em TEA, a psicopedagoga Regina Ampese:
— Reabilitamos habilidades que eles já tinham e perderam, ou que não desenvolveram. Os recursos trabalham a sensação, toque, cheiro, olhar, percepção visual e até questões de memória, raciocínio lógico, escrita, leitura, atenção e atenção compartilhada.
"Não tem limites"

Foi nesse tipo de abordagem que Caleb Bernardi, sete anos, encontrou caminhos para desenvolver habilidades. Diagnosticado com autismo, ele passou a apresentar melhora após iniciar o acompanhamento.
— Eu adoro vir aqui, eu brinco, faço natação, já fiz até biscoito em uma outra aula. Tudo eu gosto, é divertido — resumiu Caleb, animado.
Há dois anos, Caleb e os pais deixaram o Rio de Janeiro e se mudaram para Passo Fundo, em busca de um ambiente mais seguro e tranquilo, que favorecesse o tratamento. Segundo o pai, Jeferson Wagner Bernardi, policial militar aposentado, os resultados apareceram de forma gradual.
— O Caleb não socializava, mal falava, não conseguia dizer o que pensava. Hoje o vocabulário dele é rico, o caminhar também foi corrigido. São tantas coisas que ele não fazia e agora faz. Eu aprendi aqui que o lugar do meu filho autista é onde ele quiser estar, não tem limites, e o que eu puder fazer pra isso acontecer, vou fazer — garantiu.
Combinação de tratamentos

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento, tendo como principais características as dificuldades de comunicação, fala e interação social, além de padrões de comportamentos restritos, repetitivos e interesses intensos.
Na avaliação da terapeuta ocupacional Aline da Silva de Oliveira, do Hospital de Clínicas de Ijuí, as terapias, juntas, ajudam a criar uma rotina para toda a família da pessoa com TEA:
— Para terem qualidade de vida, eles precisam de uma rotina organizada para estruturarem mentalmente o que precisam fazer todos os dias, e os momentos certos. E isso envolve toda a família, é um trabalho em conjunto.
A recomendação dos profissionais é que a família também crie um ambiente organizado em casa, para que a rotina da pessoa com autismo seja o mais tranquila possível:
— O diagnóstico nunca vem sozinho, ele traz muitos desafios e a sensação de choque de que é preciso "reorganizar" a vida inteira. Mas, desde o primeiro sinal, quando vem o diagnóstico, nós também acolhemos essa família para que, juntos, a gente trabalhe e consiga bons resultados — finaliza a terapeuta.
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