
Foi em uma consulta periódica que o professor aposentado Siderlei Antonio Camini, 61 anos, descobriu o câncer de próstata. Sem sentir qualquer sintoma, ele monitorava o PSA (marcador usado para rastrear a doença) desde 2019 por conta de histórico familiar.
Em 2023, um alerta acendeu quando o marcador identificou uma alteração, relembra o professor.
— No ultrassom parecia tudo normal. O médico quis investigar mais, me pediu uma biópsia e não deu outra: era um câncer. Fiz cirurgia e retirei toda a próstata. Eu nunca senti qualquer sintoma, tudo era normal, menos o resultado do exame — resume Siderlei.
O aposentado faz parte da estatística apontada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), que mostra a doença como o tipo de câncer mais frequente entre homens no Brasil. Neste ano, são estimados 71,7 mil novos casos.
Mas, apesar da incidência, o tema ainda é cercado de preconceitos que podem atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de cura, que chegam a 90% quando há a detecção precoce.
— O homem tem essa mística de ser o “super-homem”, que é indestrutível e nunca vai ficar doente. Isso acaba atrasando a procura de atendimento e, consequentemente, o tratamento. Existe o medo da impotência sexual ou perder urina, mas são tabus. Se tratado cedo, o câncer tem cura — explica o médico urologista do Centro de Oncologia do Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI), Leonardo Bandeira.
No caso de Siderlei, foi preciso passar por cirurgia para retirada da próstata. Após um mês, ele já havia retornado às atividades normalmente.
Hoje, o professor aposentado continua monitorando os índices de PSA e dá o alerta para outros homens:
— (O tratamento) é muito tranquilo e é bom que a gente identifique e trate o quanto antes. A gente se assusta, mas com apoio da família e amigos vemos que é só mais alguma coisa que iremos passar.

Como identificar o câncer de próstata
A doença é silenciosa na fase inicial e, muitas vezes, só apresenta sintomas quando já está em estágio avançado. Exames preventivos regulares são essenciais para detectar o câncer precocemente.
— A maioria dos diagnósticos é em consultas de rotina, no PSA, que é o exame de sangue para avaliar a próstata. Os pacientes não devem esperar ter sintoma para pensar em câncer, porque, se aparecer, provavelmente é uma doença bem mais avançada já — explica o urologista.
Sinais de alerta
Quando o sintoma aparece, ele vem em forma de dificuldade para urinar. Nesses casos, pode haver presença de sangue, redução do jato e aumento da frequência para ir ao banheiro.
Com a evolução da doença, aparecem dores ósseas nas costas e nos testículos. Veja os principais sintomas:
- Dificuldade ou dor ao urinar;
- Aumento da frequência urinária, especialmente à noite;
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente;
- Presença de sangue na urina ou no sêmen;
- Dor na região pélvica ou lombar.
O recomendado é que os homens comecem a realizar o acompanhamento preventivo a partir dos 40 anos.
Diagnóstico precoce salva vidas
Quanto mais cedo o câncer de próstata é identificado, maiores são as chances de cura e menor o impacto dos tratamentos. A conscientização sobre os exames preventivos e a quebra de tabus em relação ao toque retal são passos essenciais para reduzir a mortalidade da doença, indica o urologista:
— São anos de campanha incentivando as mulheres a procurarem seus médicos, e é preciso criar essa cultura nos homens também. São consultas de rotina, para garantir que todos estejam bem para serem os super-heróis de suas famílias.
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