
Por Lucas Ricci Leite, médico ortopedista
A mão é geralmente nosso primeiro contato físico com o mundo, desde o cumprimento, no esporte e no trabalho. Logo, as lesões de dedos, mão e punho, que possuem incidência aumentada no verão, são importantes limitantes e trazem prejuízo funcional. Prevenção e o adequado tratamento garantem a manutenção das atividades habituais.
Quais são as lesões mais comuns?
As lesões podem ter diversas apresentações, desde fraturas, torções, luxações, lesões de pele, queimaduras, amputações de ponta de dedo, tendinites, lesões por esforço repetitivo, entre outras.
Essas ocorrem em atividades simples, no “projeto verão” ou promessa de ano novo que levam mais pessoas do sedentarismo aos esportes e à academia, na manutenção da casa ou apartamento de início de ano, na piscina ou praia durante exposição solar, no passeio de férias com atividades na natureza.
Cada atividade específica tem uma incidência mais comum para determinadas lesões, como nas atividades com raquete, que podem trazer desconforto no lado ulnar do punho e comumente injúria da fibrocartilagem triangular. Cortar a grama, limpar locais de difícil acesso e manusear objetos cortantes trazem os mesmos riscos, de cortes e até amputações parciais.
Quedas com trauma direto na mão e punho podem gerar fraturas ou luxações.
Como prevenir as lesões?
Para a população, a promessa de um ano novo mais saudável, o retorno gradual e progressivo às atividades físicas, acompanhado de um profissional adequado, ajuda a minimizar as lesões. Correções de posturas viciosas e lesivas nos esportes também são importantes.
Nas manutenções domiciliares, não menosprezar a atividade. Na dúvida ou inexperiência, contrate pessoal especializado, garanta a saúde das suas mãos.
Na exposição solar, hidrate-se e lembre-se de proteger as mãos, protetor solar é importantíssimo. Não esqueça que limão queima no sol (aquela caipirinha inofensiva pode deixar uma marca). A prevenção é sempre o melhor tratamento.
O que fazer quando acontecer o imprevisto?
Nos traumas, evite puxar para “colocar no lugar”, isso pode transformar lesões simples em complexas. Proteger o local lesionado com imobilizações provisórias e curativo, se necessário.
Quando aquela dor no esporte ou academia aparecer, diminuir a intensidade e carga, e procurar entender o movimento que gera o desconforto. Nas lesões térmicas, lavar com água corrente.
Mas, independente da lesão, sempre buscar rapidamente o atendimento após realizar as medidas iniciais no momento da lesão.
Caso a amputação de dedo seja o imprevisto, imediatamente acondicionar a parte lesada em gaze úmida, colocar dentro de um saco plástico e então no gelo, evitando contato direto da parte com o gelo, o que gera queimadura térmica e pode inviabilizar um reimplante.
Onde buscar tratamento?
A busca por tratamento adequado e precoce evita sequelas, dores e limitações futuras. O tempo de cuidado, curativo, uso de medicamentos, imobilização, indicação cirúrgica e reabilitação conjunta multidisciplinar, se necessário, e quando retornar às atividades são melhor avaliados na consulta e acompanhamento com o médico ortopedista especialista em cirurgia da mão.
O importante é não permitir que uma lesão que ocorre em momentos de descontração, lazer ou na tentativa de manter o hábito da atividade física seja desconforto no futuro, que limite teu dia a dia, teu esporte, teu trabalho ou simplesmente evitar aquele aperto de mão por receio de sentir dor no local que lesionou.
Lucas Ricci Leite é médico do Hospital Ortopédico de Passo Fundo, especialista em Ortopedia e Traumatologia.

