
Por João Marcus do Prado, médico ortopedista
As deformidades do antepé constituem alterações estruturais que acometem a região anterior do pé, envolvendo os metatarsos e os dedos. Essas condições são frequentes na população geral, especialmente entre idosos e mulheres, e representam um importante problema de saúde pública devido ao seu impacto funcional, social e psicológico.
Atualmente, a busca pela saúde física e mental por meio da prática de exercícios físicos está em alta — o que é extremamente positivo. Devemos incentivar cada vez mais as pessoas a adotarem hábitos saudáveis e a se manterem ativas para melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, a boa saúde dos pés é fundamental.
Entre as deformidades mais comuns, destaca-se o hallux valgus, popularmente conhecido como joanete, caracterizado pelo desvio lateral do hálux associado à proeminência óssea medial. Essa condição pode provocar dor, dificuldade para o uso de calçados e limitação da marcha.
Outra condição frequente é a metatarsalgia, termo genérico que se refere à dor na região anterior do pé, próxima aos dedos, podendo comprometer o desempenho esportivo e até mesmo as atividades diárias.
Também são observadas deformidades digitais, resultando em alterações na posição das articulações dos dedos, podendo gerar calosidades, dor e dificuldades para a deambulação. Além disso, neuromas ou cistos podem causar dor em queimação, formigamento e limitação funcional.
O impacto dessas deformidades na qualidade de vida é significativo. A dor crônica e a limitação da mobilidade interferem diretamente na capacidade de realizar atividades diárias, comprometendo a independência funcional. Em idosos, essas alterações podem aumentar o risco de quedas, contribuir para o sedentarismo e agravar doenças crônicas já existentes. Além disso, há repercussões psicológicas relacionadas à autoestima, à imagem corporal e à redução da participação social.
Diversos fatores estão associados ao desenvolvimento dessas deformidades, como predisposição genética, envelhecimento, uso de calçados inadequados, obesidade e doenças sistêmicas, como diabetes e artrite reumatoide. O diagnóstico precoce e a adoção de medidas preventivas — como o uso de calçados apropriados, fisioterapia, fortalecimento muscular e acompanhamento profissional — são fundamentais para minimizar complicações.
Dessa forma, as deformidades do antepé não devem ser encaradas apenas como alterações estéticas, mas como condições que podem comprometer significativamente a qualidade de vida da população. Investimentos em educação em saúde, prevenção e acesso ao tratamento adequado são essenciais para reduzir o impacto funcional e social dessas patologias.
Por isso, para aproveitar o verão — e todo o ano — com saúde e bem-estar, é indispensável cuidar dos pés, pois são eles que nos sustentam e nos permitem realizar nossas atividades diárias. Cuide dos seus pés e preserve sua saúde.
João Marcus do Prado é médico do Hospital Ortopédico de Passo Fundo. Especialista em Ortopedia e Traumatologia, é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Pé e Tornozelo, e sócio efetivo da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia do Rio Grande do Sul.





