
A morte do prefeito de Mormaço, Alexandre Vieira, aos 59 anos, provocou comoção entre familiares, amigos, servidores públicos e moradores do município. Internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, ele faleceu na noite de sexta-feira (4), após enfrentar complicações decorrentes de uma infecção causada por uma bactéria no trato urinário, que evoluiu para um quadro de sepse.
Eleito prefeito de Mormaço, no norte do Estado, nas eleições de 2024 pelo Progressistas, Alexandre construiu uma longa trajetória política na cidade.
Para quem trabalhou ao seu lado, a principal marca deixada por ele foi a combinação entre conhecimento técnico, firmeza nas decisões e discrição no relacionamento diário:
— No dia a dia de trabalho, ele sempre foi uma pessoa muito quieta, muito na dele. Não era de falar muito, mas transmitia muita segurança. Como secretário da Fazenda, sempre teve muito pulso firme. Era ele quem controlava as contas e tomava decisões importantes, e todos respeitavam muito a sua postura e a forma firme como conduzia as situações — lembra a servidora municipal Lidiane Alvarenga, que substituiu Alexandre após ele deixar o cargo da Secretaria da Fazenda.
Segundo Lidiane, ele era reconhecido pela capacidade de resolver problemas e decidir com rapidez.
— Ele era uma pessoa muito inteligente, tinha muita experiência e uma capacidade enorme de tomar decisões de forma rápida e segura. Era uma pessoa que realmente fazia a diferença dentro da Prefeitura.
Sua influência dentro da estrutura administrativa era tamanha que, quando se aposentou do serviço público, em maio de 2024, sua saída foi sentida por diversos colegas. Foi justamente Lidiane quem assumiu a função anteriormente ocupada por Alexandre.
— Quando chegou o momento de eu assumir o cargo que era dele, confesso que senti uma carga muito grande sobre mim. Eu conhecia a trajetória dele, sabia da responsabilidade que era ocupar aquele lugar e sabia também o quanto ele era respeitado por todos — relembra.
Apesar da aposentadoria, Alexandre permaneceu próximo dos colegas, auxiliando na transição.
— Ele me ajudou bastante nesse processo. Foi muito importante poder contar com a orientação dele e aprender com alguém que tinha tanta experiência. Para mim, foi uma grande responsabilidade, mas também uma honra muito grande ter tido a oportunidade de assumir um lugar que antes era ocupado por ele.
O lado familiar
Embora fosse conhecido pela postura reservada, Alexandre demonstrava uma ligação muito forte com a família. Ele deixa a esposa Joice, os filhos Gabriel e Pedro, a nora Erika e o neto Francisco. Segundo Lidiane, era justamente ao falar do neto que o prefeito deixava transparecer um lado mais afetivo.
— Quando se fala no Francisco, era muito fácil perceber o tamanho do amor que ele sentia pelo neto. Ele amava muito aquele menino e sempre tinha alguma coisa para contar sobre ele. Era possível perceber o orgulho e a alegria que o neto trazia para a vida dele — comenta.
Alexandre também deixa a mãe, dona Lola, além dos irmãos Juliana e Humberto.
Perda sentida por toda a cidade
A notícia da morte foi recebida com tristeza dentro da Prefeitura e em toda a comunidade de Mormaço.
— Receber a notícia do falecimento foi muito doloroso para todos nós. Mesmo sabendo da gravidade da situação e acompanhando esses dias de luta, a gente sempre mantém a esperança de que a pessoa vai conseguir se recuperar. Então, quando recebemos a notícia, foi um choque muito grande — comenta.
Para quem conviveu diariamente com ele, a ausência será sentida tanto pela capacidade profissional quanto pelas relações construídas ao longo dos anos.
— É difícil pensar que alguém que fez parte da nossa rotina por tantos anos, que esteve presente em tantas decisões e que se tornou uma referência dentro da Prefeitura não estará mais conosco.
Lidiane resume o sentimento compartilhado por servidores, amigos e familiares.
— Ele vai fazer muita falta. Não apenas pelo profissional que era, mas pela pessoa que foi, pela história que construiu e pelo respeito que conquistou ao longo da sua trajetória.



