
Mais de um mês depois da passagem do tornado que deixou um cenário de destruição no interior de Giruá, no noroeste do Estado, a família Amaral tenta reconstruir não apenas as casas levadas pelo vento, mas também a rotina interrompida pela tempestade.
O fenômeno atingiu comunidades rurais de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho na noite de 28 de julho. Na propriedade da família, diversos pontos ficaram destruidos. Agora, passado pouco mais de um mês, o foco está na reconstrução.
— O tornado impactou muito a nossa família. Não foi apenas pela destruição da casa e dos bens materiais, mas também porque mexeu com a nossa história, com as nossas lembranças e principalmente com a forma como vamos enxergar o futuro daqui para frente — relata Diandro Amaral, filho do produtor rural Gilço Amaral Mikocak.
A família já definiu parte dos planos para o recomeço. Segundo Diandro, a ideia é construir uma casa de madeira para os pais.
Além das perdas materiais, a família destaca um aspecto menos visível da tragédia: o impacto emocional. Segundo Diandro, a reconstrução não se resume a levantar paredes e telhados.
— Tem a história, a cultura e toda uma perda imaterial que aconteceu junto com o tornado. Às vezes, isso é até mais difícil de recuperar do que os bens materiais — afirma.
Um dos exemplos citados por ele envolve a ligação de Gilço com os cavalos, cultivada desde a infância.
Uma relação construída ao longo da vida
De acordo com Diandro, o gosto pelos cavalos surgiu ainda na infância, incentivado pelo avô de Gilço. Ao longo dos anos, os animais passaram a fazer parte da rotina da família e da participação do produtor em rodeios e competições.
— Para o Gilço, o cavalo nunca foi apenas um animal. Faz parte da história dele, da infância, da família e dos momentos bons da vida — relata.
Um dos animais mais marcantes da trajetória do produtor rural levava um nome que ganhou novo significado depois da tragédia. O cavalo chamava-se Tornado da Boa Vista.
— Ele acreditava que Tornado era um nome forte, que representava velocidade, força e presença nos rodeios. Depois do que aconteceu, esse nome acabou ganhando outro significado — conta Diandro.
Segundo ele, os acontecimentos dos últimos meses fizeram Gilço repensar até mesmo a continuidade da criação de cavalos.
— Algumas coisas que antes pareciam certas hoje estão sendo reavaliadas — afirma.
"A gente não perdeu a vontade de reconstruir"
Apesar da dimensão dos prejuízos, a família afirma que segue determinada a reerguer a propriedade. O caminho, segundo os familiares, ainda será longo e cheio de desafios.
— A reconstrução vai levar tempo. Vai ter dificuldade, saudade e momentos em que tudo vai parecer muito pesado. Mas também vai ter casa nova, planos novos, sonhos novos e a nossa família vai tentar se reerguer — diz Diandro.
A confiança no futuro aparece na frase que passou a simbolizar o momento vivido pela família.
— A gente perdeu muita coisa, mas não perdeu a vontade de reconstruir. Cada tijolo, cada madeira e cada detalhe da casa nova vão representar isso. Depois de uma tempestade tão forte, a vida continua e a gente vai construindo tudo novamente aos poucos — conclui.





