
Bastam os dias de frio mais intenso reaparecerem para que um produto tradicional volte a ganhar espaço na rotina dos gaúchos. Conhecido por acompanhar chás e receitas caseiras, o mel registra um aumento na procura durante o inverno no norte do Estado.
Segundo estimativa da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (FARGS), o consumo do produto cresce entre 30% e 50% nos meses mais frios do ano. Em Marau, o apicultor David Figueira percebe a mudança no comportamento dos clientes assim que as temperaturas começam a cair.
Segundo ele, o aumento não está relacionado apenas ao volume comercializado, mas também ao número de pessoas que procuram o produto.
— A venda do mel agora no inverno tem um acréscimo de cerca de 20% para nós. Como trabalhamos apenas com consumidor final, o principal aumento é justamente na quantidade de pessoas que procuram o produto — relata.
O cenário se repete em diferentes municípios da região. Na União Carazinhense de Apicultores e Meliponicultores (UCAPI), o inverno é considerado um dos períodos mais movimentados do ano. De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Mantovani de Oliveira, a procura cresce gradualmente com a chegada das temperaturas mais baixas.
— Nós temos um termômetro comercial bastante claro. Participamos semanalmente de feiras e percebemos que, à medida que o frio chega e o outono avança, as vendas praticamente dobram — afirma.
Destaque no mercado internacional
Além do aumento da demanda interna, o setor apícola também recebeu uma notícia positiva recentemente no mercado externo. No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas sobre produtos importados do Brasil. O mel, no entanto, está entre os itens que receberam isenção da medida, mantendo condições favoráveis para exportação ao mercado norte-americano.
Para os apicultores, a principal explicação para o aumento das vendas está relacionada aos cuidados com a saúde. Durante o frio, muitas pessoas recorrem ao mel para aliviar desconfortos na garganta e complementar tratamentos caseiros associados a resfriados e mudanças bruscas de temperatura.
O período também coincide com o aumento de casos de gripe, resfriados e irritações respiratórias, fatores que tradicionalmente impulsionam a procura pelo produto.
A percepção dos produtores é que o mel continua sendo visto por muitos consumidores como um aliado no fortalecimento da imunidade e no cuidado com a saúde durante os meses mais frios.



