
Moradores de Passo Fundo, no norte do Estado, estão questionando aumentos expressivos nas contas de energia elétrica. Nos últimos dias, dezenas de moradores procuraram a unidade da RGE no município em busca de explicações sobre valores que, segundo eles, ficaram muito acima do habitual.
O empresário Willian Ruan Moraes está entre os consumidores que procuraram esclarecimentos. Segundo ele, em junho a residência registrou consumo de 444 quilowatts-hora (kWh) e uma fatura de R$ 201. Em julho, o consumo aumentou em cerca de 150 kWh, mas o valor da conta chegou a R$ 759.
— Nós tivemos um consumo de aumento de 25%, porém na fatura subiu quase 300%. Foi bem discrepante em relação ao valor do consumo e o valor do pagamento — afirma.
O empresário relata que o aumento chama a atenção porque o imóvel possui sistema de geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos. Ao comparar as contas de outros imóveis da família, ele afirma ter identificado situações semelhantes.
— Nós temos em torno de seis endereços com contas e estávamos comparando todos eles. Nenhum tem uma coerência — comenta.
O caso do empresário não é isolado. Nos últimos dias, uma grande fila se formou na agência da RGE em Passo Fundo, no Centro. Consumidores chegaram ao local relatando aumentos considerados incompatíveis com o histórico de consumo.
A comerciante Ana Clara Andrade de Oliveira afirma que de um mês para outro os valores quase que triplicaram. Ela afirma que não há possibilidade de pagar o valor na totalidade.
— Mês passado eu paguei R$ 751. Esse mês veio R$ 2.207. Eu acho um absurdo, porque eu não gasto tudo isso. Não vou pagar todo o valor — afirma.
A manicure Jenifer Bueno dos Santos também relata surpresa com a cobrança. Segundo ela, a empresa informou que uma equipe técnica deverá realizar uma análise no imóvel.
—Me disseram que podem fazer uma releitura, mas não sabem se o valor vai baixar ou não. Eu gastava R$ 300. O máximo que eu tinha pago foi R$ 420. Em junho deu R$ 326 e agora veio R$ 954.
O que diz a RGE

De acordo com o grupo CPFL Energia, controlador da RGE, parte do aumento observado nas contas está relacionada ao reajuste tarifário anual autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Desde 19 de junho, a energia elétrica ficou, em média, 15% mais cara para os consumidores atendidos pela concessionária. A empresa também aponta o aumento do consumo típico do período de inverno, quando equipamentos como chuveiros elétricos, aquecedores e climatizadores costumam permanecer ligados por mais tempo.
Diante do crescimento das queixas, o Procon de Passo Fundo passou a monitorar os casos registrados no município. Segundo o órgão, ao menos sete faturas tiveram o pagamento suspenso temporariamente para análise dos valores cobrados.
A coordenadora do Procon, Alana Schütz, afirma que a situação também trouxe reflexos no atendimento da concessionária.
— Temos muitos consumidores para serem atendidos. Temos idosos e gestantes aguardando por bastante tempo. Os canais eletrônicos também estão deficitários, o que faz as pessoas procurarem a agência física. Notificamos a RGE para que providencie o aumento de guichês e de atendentes, considerando a demanda atual. — explica.
Caso pode chegar ao Ministério Público
A procura por orientações também aumentou no Balcão do Consumidor da Universidade de Passo Fundo (UPF). Segundo o coordenador do serviço, Rogério da Silva, apenas em um único dia foram registrados 17 atendimentos relacionados ao tema, além de dezenas de contatos por telefone.
— São valores bastante expressivos. Sabemos que houve um aumento superior a 14%, mas mesmo assim são cobranças que precisam ser explicadas pela companhia — comenta.
Como a situação envolve um número significativo de consumidores, o Balcão do Consumidor informou que encaminhará a demanda ao Ministério Público.
— Como se trata de uma demanda coletiva, vamos encaminhar a situação ao Ministério Público, que irá avaliar a necessidade de abertura de um procedimento ou de um inquérito para apuração dos fatos — afirma Rogério.


