
Em Barão de Cotegipe, no norte do Estado, minutos de chuva intensa podem ser suficientes para transformar a rotina de moradores e comerciantes. Cortado pelo rio Jupirangaba e pelos lajeados Barbaquá e Paiol Grande, o município convive há anos com episódios de alagamentos que atingem áreas urbanas sempre que o volume de água aumenta.
O problema afeta principalmente pontos centrais da cidade, onde o transbordamento dos cursos d'água provoca a invasão de residências e estabelecimentos comerciais.

Um dos moradores que conhece de perto essa realidade é o comerciante Paulo César Capeletti, 55 anos. Ao longo dos anos, ele já viu a água entrar tanto na loja quanto na residência.
— Quando o rio está querendo sair fora e a chuva não para, já temos que começar a erguer tudo. Em questão de quinze minutos a água entra dentro. Estraga móveis, geladeira e freezers precisam ser erguidos e depois temos que lavar tudo. Nem é bom lembrar — relata.
Segundo a Defesa Civil do município, os alagamentos são resultado de um conjunto de fatores estruturais. Entre eles estão a canalização estreita em alguns pontos, a baixa profundidade dos cursos d'água e a posição de ruas construídas abaixo da cota das estruturas existentes.
Com isso, durante períodos de chuva intensa, o fluxo da água encontra dificuldades para escoar rapidamente.
A coordenadora da Defesa Civil de Barão de Cotegipe, Ducili Richetti, explica que o problema acompanha o crescimento da cidade.
— Isso é um fato histórico. Não é de hoje que ocorre esse tipo de alagamento. Com o aumento dos bairros, da pavimentação e do número de moradias, a situação ficou mais grave. Além disso, os eventos climáticos têm trazido grandes volumes de chuva em períodos cada vez menores — afirma.
Nos últimos anos, o município realizou ações de desassoreamento em pontos considerados estratégicos dos rios e lajeados. Agora, a principal aposta está em uma obra de drenagem que deverá ampliar a capacidade de escoamento da água.
O projeto prevê a instalação de mais de 160 metros de galerias em dois trechos do Lajeado Paiol Grande.
— Essas galerias vão ajudar a aumentar a vazão da água nos pontos mais críticos identificados até agora. Sabemos que eventos extremos, como os registrados em 2024, continuam sendo um desafio, mas a obra deve reduzir significativamente os problemas enfrentados pela população — afirma o prefeito Franciel Izycki.
Previsão de investimentos

A intervenção foi contemplada pelo programa estadual Drenagem RS e receberá investimento de aproximadamente R$ 2,2 milhões.
As obras devem ocorrer em dois pontos considerados estratégicos:
- No entroncamento da Rua Vasco da Gama com a Avenida Adão Welker;
- Na desembocadura do Lajeado Paiol Grande com o rio Jupirangaba, na Avenida Ângelo Calefi.
A expectativa da prefeitura é iniciar os trabalhos a partir de setembro.




